counter Como Trump tenta silenciar a ciência climática: NASA omite aquecimento global – Forsething

Como Trump tenta silenciar a ciência climática: NASA omite aquecimento global

O ano de 2025 entrou para a história como um dos mais quentes já registrados, mas o comunicado oficial da NASA sobre as temperaturas globais ignorou qualquer menção à mudança climática, em ruptura com relatórios anteriores que reconheciam explicitamente o impacto das atividades humanas no aquecimento do planeta.

O documento, publicado nesta quarta-feira, apresenta dados técnicos de aumento térmico e médias globais, mas evita contextualizar as causas e consequências desse fenômeno, alinhando-se à postura do governo do presidente Donald Trump de minimizar e negar a crise climática.

Segundo a NASA, a temperatura média global em 2025 foi 1,19 °C acima da média de 1951 a 1980, com base em registros de mais de 25 mil estações meteorológicas, instrumentos de medição em navios e boias oceânicas, e estações científicas na Antártica.

Apesar da gravidade dos números, palavras como “mudança climática” ou “aquecimento global causado por humanos” foram deliberadamente omitidas.

Especialistas observam que a decisão não é isolada e reflete um padrão de interferência do governo Trump na comunicação científica.

Continua após a publicidade

Para o climatologista Michael Mann, da Universidade da Pensilvânia, a omissão é parte de um esforço consistente de censurar informações que conflitam com a agenda de interesses fósseis da administração americana.

O caso da NASA se soma a uma série de medidas recentes que evidenciam ataques sistemáticos do governo à ciência climática.

Em janeiro de 2026, os Estados Unidos anunciaram sua retirada formal da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, tratado base desde 1992, e de cerca de 65 órgãos internacionais, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).

Continua após a publicidade

O argumento oficial é proteger “interesses nacionais”, mas críticos afirmam que a decisão isola o país e compromete a cooperação internacional necessária para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Internamente, o governo Trump tem buscado revogar decisões jurídicas que fundamentam regulamentos ambientais, como o endangerment finding, que reconhece gases de efeito estufa como ameaça à saúde pública.

A proposta de revogação, se concretizada, eliminaria a base legal de diversas normas de redução de emissões de veículos e indústrias, enfraquecendo ainda mais a ação climática.

Continua após a publicidade

Paralelamente, cortes significativos no orçamento da NOAA, agência responsável por pesquisas sobre clima e oceanos, ameaçam eliminar programas de monitoramento e previsão de desastres naturais, prejudicando tanto a ciência quanto a segurança pública.

Além disso, relatórios de pesquisadores apontam que funcionários de agências governamentais foram instruídos a remover ou evitar termos como “mudança climática” e “poluição” de sites oficiais, resultando em censura direta ou autocensura por parte de cientistas.

Muitos especialistas afirmam que essas medidas comprometem a confiança pública na ciência, dificultam a formulação de políticas baseadas em evidências e favorecem interesses de indústrias fósseis em detrimento da saúde humana e da proteção ambiental.

Continua após a publicidade

Enquanto isso, outras agências internacionais de monitoramento climático, como o serviço Copernicus da União Europeia e a NOAA, continuam a registrar 2025 entre os anos mais quentes da história, com impactos crescentes sobre ecossistemas e sociedades.

O silenciamento de dados nos Estados Unidos não altera a realidade física do aquecimento global, mas complica o debate público e a tomada de decisões políticas baseadas em ciência, em um momento em que a urgência da ação climática é cada vez mais evidente.

Publicidade

About admin