Na véspera do Globo de Ouro de 2026, Sarah Jessica Parker fez aquilo que só os verdadeiros ícones sabem fazer: voltou ao centro da cena sem esforço, sem nostalgia excessiva e sem precisar explicar nada. Ao receber o Prêmio Carol Burnett pelo conjunto da obra, a atriz transformou o tapete vermelho em um território emocional e simbólico — cercada pelo marido, pelo filho e pelo elenco de “Sex and the City” — mas foi o look que selou o momento como histórico: um vestido rosa-claro de brilho delicado de alta-costura de Paolo Sebastian, arrematado por um cinto de veludo cravejado de joias e um minibolero de seda preta. Um visual que dialogava diretamente com Carrie Bradshaw, mas com a maturidade de quem não precisa reviver o passado para provar relevância.
Nada ali era literal. A sobreposição de colares — gargantilha de pérolas, colar longo e pingente de coração de diamantes — tinha muita narrativa. Era teatral, feminina, quase performática, como sempre foi o estilo de Sarah Jessica Parker. Só que, desta vez, havia uma camada nova: a consciência plena de quem sabe exatamente o lugar que ocupa na cultura pop. O look não era uma fantasia de Carrie; era a versão real, adulta e segura da mulher que ajudou a mudar para sempre a relação entre moda, televisão e desejo feminino.
Na mesma noite, outro ícone foi celebrado — e por caminhos muito diferentes, porém igualmente potentes. Helen Mirren recebeu o Prêmio Cecil B. DeMille a bordo de um modelo rosa de Stella McCartney, com a elegância de quem nunca precisou se curvar às tendências para ser referência. Sua relação com a moda sempre foi sobre postura, presença e inteligência estética. Mirren não veste roupas para parecer jovem, mas sim para ser fiel a si mesma. E isso, hoje, é talvez a atitude mais moderna de todas. Em tempos de obsessão pela novidade, sua imagem reafirma que estilo não tem idade, e sofisticação simplesmente não pede licença.
O Globo de Ouro de 2026 acabou se tornando mais do que uma cerimônia de prêmios: foi uma aula silenciosa sobre tempo, legado e moda como linguagem. Sarah Jessica Parker mostrou que personagens podem acabar, mas símbolos permanecem. Helen Mirren lembrou que a elegância verdadeira não envelhece, se aprofunda. E, entre brilhos, veludos, pérolas e histórias, a moda mais uma vez provou seu papel essencial: contar quem somos, sem precisar dizer uma palavra.
Veja os looks:

