Uma das porções de terra mais preservadas da Península do Maraú, no Sul da Bahia, a Vila dos Algodões mantém o charme rústico e a beleza natural intocados. Pelas suas poucas ruas de terra batida – são apenas sete – moradores e visitantes têm o hábito de se cumprimentar mesmo sem se conhecer; e o tempo parece passar em um ritmo mais lento. Para completar o cenário, que originalmente era uma antiga fazenda e foi desmembrada em lotes generosos, o lugar é emoldurado por um mar cristalino. Durante a maré baixa, piscinas naturais surgem entre os recifes de coral, paralelos a uma faixa de areia a perder de vista.

É nesta atmosfera, onde funcionam pouco mais de meia dúzia de pousadas, que um endereço se sobressai: a Vila Oyá Casa Hotel. Aberta há apenas três anos e em total harmonia com aquele ambiente, ela é um verdadeiro exemplo de turismo e de hospitalidade artesanais. Ali, em um clima íntimo e acolhedor, os hóspedes são chamados pelo nome, os serviços são personalizados, há uma atenção aos mínimos detalhes, mas, tudo com discrição e longe de ser invasivo. Durante três dias, a colunista se hospedou na Vila Oyá e pôde atestar o luxo discreto do hotel, o atendimento impecável, além do estímulo a deixar a correria de lado e relaxar.

A escolha do nome Oyá – orixá dos ventos, das transformações – tem muito a ver com a própria história dos proprietários do local, o casal Lívia La-Gatta, que trabalhava na área de marketing, e o advogado André Reis, que vivia no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro. Como aconteceu com milhões de pessoas mundo afora, a pandemia fez com que eles repensassem o estilo de vida que levavam. Depois de uma temporada na região, assim que as fronteiras foram abertas naquele período, os dois compraram um terreno na Vila dos Algodões e decidiram que era hora de pôr em prática o sonho de ter um lugar especial e que ainda unisse mais a família. “A ideia foi criar um lugar que, além de significar para a gente uma transição de vida e de carreira, proporcionasse uma transformação na rotina, pelo menos por alguns dias, e uma experiência inesquecível para quem viesse para cá”, resume Lívia.

Inaugurada em dezembro de 2022 e com um clima baiano-mediterrâneo, a encantadora Vila Oyá é um hotel propositalmente pequeno, com apenas quatro bangalôs – todos entre 55 e 90 metros quadrados e piscina privativa – e uma casa de três quartos, ideal para famílias. Com uma arquitetura que remete às antigas casas de pescadores, com linhas puras, muita madeira e um paleta de cores concentrada entre o branco e o azul, o hotel é uma mistura de despojamento com requinte. Todas as acomodações contam, por exemplo, com camas king-size, lençóis de algodão egípcio e roupas de banho Trussardi. A decoração, por sua vez, foi desenvolvida respeitando o conceito do turismo artesanal. Todas as peças que adornam os ambientes, incluindo móveis e luminárias, foram garimpadas em ateliês de artesãos baianos ou em lojas especializadas da região, como a JM Artes, do marauense Jonga Batista, de 60 anos. O espaço, uma mescla de depósito e marcenaria, é muito procurado por donos de pousadas e vale muito a visita ((73) 99934-7406).

Ainda dentro da premissa do turismo artesanal, o restaurante da Vila Oyá – que teve uma consultoria inicial dos chefs Elia Scharamm, do restaurante Babbo Osteria no Rio, e Miguel Capela, que atua em Itacaré – prioriza os insumos da região. Todos os legumes, verduras, frutas, peixes e frutos do mar vêm de fornecedores que vivem na área da Península de Maraú. O aratu (caranguejo de mangue) servido no restaurante, agora comandado pelo chef mineiro Xairon Misaki, por exemplo, é pescado artesanalmente por mulheres na Baía de Camamu, que banha a região e é a terceira maior do país. “Não é um trabalho fácil, mas, ao mesmo tempo que criei meus quatro filhos só com a pesca do caranguejo, isso aqui é minha terapia também”, diz Maricélia Assunção Porto, de 46 anos, com as botas afundadas na lama do mangue, enquanto aponta a vara para outro aratu.

A alguns quilômetros dali fica outro fornecedor do hotel, o Sítio do Outeiro, comandado pelo casal Marisa Fukuda e Márcio Pimentel, conhecido como Karma. Em uma propriedade de cerca de 10 hectares, que é uma mistura uma agrofloresta, bioconstruções e muita arte, eles produzem, entre outros, chips de coco, geleias, granolas, creme de castanha de caju, tofu, cogumelos, banana desidratada e açaí. “Aqui a emissão de carbono na produção do açaí é zero. Plantamos, processamos e servimos no próprio local. O máximo de deslocamento que se tem é de carrinho de mão”, ressalta, com bom humor, Karma. A propriedade ((73) 99983-5169) promove visitas guiadas pelo local e já recebeu figuras ilustres, como a da modelo Gisele Bündchen, que esteve lá enquanto se hospedava na Vila dos Algodões na casa de amigos, em julho de 2024.

É neste trecho especial da Bahia que a Vila Oyá se mantém totalmente integrada à natureza e à cultura locais. “Ao mesmo tempo que cuidamos do nosso hotel, tivemos a preocupação de nos unirmos à comunidade para, além de consumirmos o que é produzido aqui, também lutarmos pela sua preservação”, comenta o advogado André Reis. Quem chega à Vila dos Algodões, de fato, tem a sensação de estar pisando, por exemplo, em Trancoso (outro refúgio do Sul da Bahia) de trinta anos atrás. E para aproveitar a experiência ao máximo, além da possibilidade de conhecer os fornecedores da Vila Oyá, a hospedagem oferece um cardápio de atividades. Os hóspedes podem escolher entre passeios de lancha por ilhas da região, com direito a banho de cachoeira; atividades de bicicleta ou quadriciclo; aulas de beach tênis, surfe e yoga; e ainda optar por uma massagem relaxante. Ou, simplesmente, não fazer nada e curtir aquele paraíso com todo o conforto.
A Vila Oyá Casa Hotel fica na Vila dos Algodões, no município de Maraú, a 97 quilômetros – sendo 22 deles em uma estrada de terra batida – do Aeroporto de Ilhéus. https://vilaoya.com.br/, Instagram @vila.oya, cel. (73- 99820-6213).
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