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Cidade mais limpa da Índia registra mortes após água contaminada por esgoto

A cidade de Indore, na Índia, frequentemente apresentada por autoridades do país como exemplo de eficiência urbana, vive uma crise que expõe os limites das políticas públicas.

Pelo menos dez pessoas morreram e mais de 270 foram hospitalizadas após o consumo de água contaminada por esgoto na chamada “cidade mais limpa da Índia”, título que Indore ostenta há oito anos consecutivos.

O surto atingiu principalmente Bhagirathpura, um bairro populoso e de baixa renda, onde moradores vinham alertando autoridades havia meses sobre o mau cheiro e o gosto da água que saía das torneiras.

As reclamações não resultaram em ações concretas. Somente quando hospitais passaram a receber pacientes com diarreia severa, vômitos e febre alta é que o problema ganhou atenção oficial.

Entre as vítimas está um bebê de cinco meses, alimentado com leite preparado com água da rede pública.

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Segundo autoridades locais, a contaminação ocorreu após a construção de um banheiro público sobre uma tubulação de água potável, sem tanque séptico adequado, o que teria permitido a infiltração de esgoto no sistema de abastecimento.

Testes confirmaram a presença de bactérias típicas de dejetos humanos. Ao menos 32 pessoas permanecem em estado grave, em unidades de terapia intensiva.

A tragédia lança luz sobre uma contradição recorrente nas políticas urbanas da Índia. Iniciativas como o programa federal Swachh Bharat, criado para promover limpeza e saneamento, privilegiaram resultados facilmente mensuráveis, como coleta de lixo e construção de banheiros.

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Mas nem sempre garantiram padrões técnicos, fiscalização e manutenção contínua. Especialistas em saúde pública afirmam que saneamento vai além da aparência e exige controle rigoroso da qualidade da água.

O caso de Indore também se insere em um quadro mais amplo de fragilidade institucional.

Reportagens da imprensa local indicam que apenas 59% dos laboratórios públicos de análise de água no país possuem acreditação oficial.

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Na capital, Delhi, esse índice cai para 8%. Com a rápida urbanização e o crescimento de cidades médias, falhas no monitoramento elevam o risco de surtos de doenças transmitidas pela água.

Politicamente, o episódio intensificou o embate entre governo e oposição. O líder do Congresso, Rahul Gandhi, acusou a administração estadual de negligência e afirmou que acesso à água potável é um direito básico, não uma concessão.

Autoridades municipais suspenderam servidores e prometeram rever normas de fiscalização, enquanto equipes de saúde realizam visitas domiciliares para identificar casos suspeitos.

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Mais do que um incidente isolado, a crise de Indore funciona como alerta para outras cidades indianas e países em desenvolvimento.

Rankings de limpeza e prêmios internacionais, dizem especialistas, não substituem investimentos duradouros em infraestrutura invisível, como redes de esgoto, estações de tratamento e sistemas independentes de controle.

Sem isso, a vitrine da “cidade limpa” pode esconder riscos profundos à saúde pública.

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