O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), deu novo passo para os planos de deixar o Palácio Guanabara neste ano e concorrer ao Senado nas eleições. De olho em um sucessor, que ficaria até o fim de 2026 no comando do estado, Castro filiou ao seu partido o secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione. Visto como um nome de estreita confiança para o mandatário, Miccione é neste momento o favorito para concorrer em eleições indiretas, quando a cadeira do Executivo ficar vaga.
Na atual conjuntura, a tendência é que Castro deixe o governo no mês de março, após as celebrações do carnaval. O período garante boa visibilidade à classe política fluminense, que costuma ainda aproveitar momentos informais nos camarotes da Sapucaí, por exemplo, para costuras estratégicas. O governador, no entanto, tem oficialmente até abril para deixar sua cadeira, se mantiver os planos de tentar se eleger senador.
Até lá, seguirão intensas as negociações pela sucessão no Palácio Guanabara. Nessas conversas, vai pesar a vontade de Castro, mas também do PL, partido com mais representantes na Assembleia Legislativa. A filiação de Miccione à legenda, concretizada no mês de dezembro, no entanto, indica que pode haver convergência. A ficha foi assinada na presença do governador e do presidente do diretório estadual do partido, Altineu Cortes.
Ainda assim, diferentes setores da sigla sinalizam nos bastidores por outros nomes, que correm contra o tempo para se viabilizar. Nessa lista, estão políticos como o deputado estadual Douglas Ruas (PL), o prefeito de Itaboraí Marcelo Delaroli e o líder do governo na Alerj, Rodrigo Amorim (União).
Se confirmada a saída de Claudio Castro do governo do Rio, o comando do estado deverá ser assumido inicialmente pelo presidente do Tribunal de Justiça fluminense, o desembargador Ricardo Couto de Castro. Em seguida, o magistrado terá trinta dias para convocar eleições indiretas. Desse modo, a Assembleia Legislativa fluminense votaria para eleger o sucessor do governador.
Isso ocorre porque o vice-governador Thiago Pampolha, primeiro na linha sucessória, deixou o cargo neste ano por uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. O segundo da lista, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), está em prisão domiciliar após ser alvo da Polícia Federal, e também não poderia herdar a cadeira.