A ideia de amor romântico, que permeia a sociedade desde os tempos medievais de Tristão e Isolda, vem aos poucos perdendo o sentido em meio ao avanço da modernidade. O conceito de cara-metade, tão procurado em namoros e casamentos, vem sendo substituído por relacionamentos não-monogâmicos. Porém, o mundo, tal qual os sentimentos, não gira de maneira acelerada: ciúmes, posse e desconfiança ainda estão presentes. Pensando assim, os adeptos à relação aberta criaram um novo acordo: o Don’t Ask, Don’t Tell (na sigla DADT, que em tradução seria ‘Não Pergunte, Não Fale’).
O termo, descrito pelo Urban Dictionary como “uma estrutura de relacionamento em que uma pessoa em um casal tem permissão para ter relações sexuais ou românticas com outras pessoas, com a condição de que seu parceiro desconheça” vem se tornando comum para os que querem viver livremente, mas não conseguem se desgarrar das entranhas da posse e ciúmes. Para a psicóloga Regina Navarro Lins, 76 anos, o acordo beneficia mais do que prejudica – já que, a seu ver, o mundo ainda é baseado no pensamento monogâmico, embora alguns estejam quebrando o status quo. “A monogamia na nossa cultura é um imperativo, mas ninguém é obrigado a se submeter. Essa história de que têm que contar tudo torna o relacionamento amoroso num confessionário e não precisa confessar. Falar que quem ama não tem desejo por ninguém é uma mentira. E se a pessoa descobre que seu parceiro transou com outro, ela sofre, acredita que não é amada. Temos que repensar no prejuízo que é essa ideia ultrapassada de que as pessoas têm que contar tudo, que não poder ter privacidade e individualidade”, diz à coluna GENTE.
O não contar, segundo ela, não se trata de mau caratismo, mas sim compreender que se trata de uma maneira de evitar desgastes. Em uma relação aberta, é comum escutar sobre regras e acordo – há o que pode e não pode fazer. Navarro analisa que tal esforço é desnecessário, já que na maioria das vezes, eles são quebrados, por isso, não falar salva tempo e evita discussões. “Os acordo daqui a um tempo não serão mais necessários, porque é uma bobagem fazer acordos que não serão cumpridos”, decreta a psicóloga.