O candidato de extrema direita André Ventura desponta como favorito para o primeiro turno das eleições presidenciais de Portugal. A votação acontece neste domingo, 18, e uma confirmação dos prognósticos consolida a ascensão política do deputado, responsável pela fundação do Chega em 2019. Embora ele lidere as pesquisas, há poucas chances de vitória no segundo turno, uma vez que deve enfrentar uma coalizão entre os candidatos derrotados.
De acordo com informações divulgadas pela agência de notícias AFP, as principais pesquisas eleitorais divergem sobre o possível rival de Ventura nas eleições do dia 8 de fevereiro, que provavelmente sucederá o presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Alguns levantamentos apontam para António José Seguro (centro-esquerda), enquanto outros indicam Luís Marques Mendes (centro-direita), este apoiado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro.
+ Portugal endurece regras para imigrantes e prevê bloqueio de vistos por até cinco anos
Este ano, as eleições presidenciais portuguesas contam com o número recorde de 11 candidatos, e há outros nomes competitivos além dos citados, como o parlamentar europeu João Cotrim Figueiredo e o almirante da reserva Henrique Gouveia e Melo, que comandou a campanha de vacinação contra a Covid-19. Com um discurso contrário aos partidos tradicionais, Melo liderou as pesquisas por muito tempo, até que Ventura se lançou candidato para conter a ameaça política que representava.
“André Ventura se apresentou como candidato para preservar seu eleitorado. Ele pode ter a surpresa de ampliá-lo”, disse o cientista político António Costa Pinto, da Universidade de Lisboa, à AFP. O acadêmico compara o atual pleito luso às eleições presidenciais na França em 2002, quando o líder da Frente Nacional (agora Reagrupamento Nacional) chegou ao segundo turno.
Costa Pinto afirma que, embora não seja tão chocante como antes, uma vez que o mundo vive “um onda” da extrema direita, a simples participação de Ventura no segundo turno pode ser suficiente para “reforçar, aos olhos da sociedade portuguesa, a ideia de um crescimento eleitoral do Chega”.
Diferente do que ocorre no Brasil, o poder do chefe de Estado em Portugal é sobretudo simbólico. Na prática, é o governo apoiado pelo Parlamento que dirige o país, e não o presidente. Ainda assim, o político eleito para o cargo pode atuar como árbitro em momentos de crise e tem o poder de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas.