Na lista de atitudes a tomar para ampliar os anos de vida pela frente, pesquisadores americanos acabam de incluir caminhadas rápidas de apenas 15 minutos por dia. A recomendação vem de um estudo que analisou dados de quase 80 000 pessoas, publicado no periódico American Journal of Preventive Medicine.
Trata-se da primeira pesquisa robusta a investigar o impacto da atividade física mais democrática em uma população majoritariamente negra e de baixa renda. Suas conclusões podem subsidiar políticas públicas de incentivo à prática da caminhada visando à redução da mortalidade precoce e à melhora da qualidade de vida, sobretudo entre cidadãos mais vulneráveis socialmente.
O trabalho, liderado pela Universidade Vanderbilt, partiu da análise de prontuários de 79 856 americanos vinculados a um banco de dados de saúde comunitária. Esse grupo tinha entre 40 e 79 anos no período avaliado (entre 2002 e 2009) e era formado principalmente por negros (66% da amostra), boa parte deles recrutados em centros de saúde que atendem um público de baixa renda em 12 estados do sudeste dos Estados Unidos.
No inquérito inicial, todas essas pessoas forneceram informações sobre o estilo de vida e a quantidade de tempo por dia em que caminhavam, bem como o ritmo das passadas. Os cientistas dividiram a prática em “caminhadas lentas” (como se movimentar em direção ao trabalho ou passear com o cachorro) e “caminhas rápidas” (andar em ritmo acelerado ou se exercitar num parque ou na esteira, por exemplo).
Os pesquisadores da Vanderbilt contrastaram os dados obtidos com o registro nacional de óbitos, averiguando que, até 2022, mais de 26 000 mortes haviam ocorrido entre o público contemplado. Cruzando as informações, descobriram uma associação entre a prática de caminhadas rápidas e uma redução de quase 20% na mortalidade total – o benefício foi superior, inclusive, a caminhadas lentas por mais de três horas ao dia.
Embora não seja um estudo capaz de determinar causa e efeito, os autores da pesquisa acreditam que os benefícios ligados à caminhada rápida tenham a ver com a melhora do que eles chamam de eficiência e débito cardíaco – ou seja, o exercício torna o coração mais resiliente – e com os impactos da atividade física no controle do peso, da pressão arterial e do colesterol, todos eles fatores já relacionados à diminuição da expectativa de vida.
“A caminhada rápida oferece uma atividade conveniente, acessível e de baixo impacto a indivíduos de todas as idades e níveis de condicionamento físico, podendo beneficiar a saúde em geral e a cardiovascular em especial”, disse o epidemiologista e líder da investigação Wei Zheng, professor da Universidade Vanderbilt.
Em geral, uma caminhada é considerada rápida quando, à medida que se aceleram os passos, começa a ficar difícil manter uma conversa fluida pela falta de fôlego.