Em 2011, Elon Musk, presidente da Tesla, fez pouco caso da chinesa BYD e disse que não via a empresa como uma rival equivalente. Agora, o jogo mudou. De acordo com dados divulgados pelas duas fabricantes nesta semana, a BYD superou a Tesla e é hoje a maior fabricante de veículos elétricos do mundo.
A BYD anunciou na quinta-feira, 1, que vendeu 2,26 milhões de veículos elétricos em 2025, um crescimento de quase 28% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, a Tesla divulgou nesta sexta-feira, 2, o segundo ano consecutivo de queda nas vendas. Segundo os dados compartilhados pela companhia, as entregas caíram 8,6%, para apenas 1,6 milhão de unidades, registrando a maior queda anual da história da empresa.
Os dados são ainda mais relevantes já que os carros da BYD não são comercializados nos Estados Unidos, mas a Tesla tem na China seu segundo maior mercado, atrás apenas dos Estados Unidos. Embora não divulgue as vendas por país, apenas números globais, analistas apontam que metade das unidades emplacadas pela empresa de Musk vêm dos EUA.
A Tesla foi pioneira no segmento de carros elétricos e conquistou uma fatia expressiva do mercado ao apresentar modelos tecnológicos, movidos a eletricidade, junto com uma robusta infraestrutura de carregamento. Com o tempo, no entanto, a concorrência aumentou significativamente. Além de iniciativas eletrificadas de montadoras ocidentais, a quantidade de fabricantes chinesas que passaram a exportar seus veículos cresceu significativamente.
Para dificultar ainda mais a situação da Tesla, a entrada de Musk no governo de Donald Trump provocou revoltas – que culminaram em atos de vandalismo contra algumas das concessionárias da empresa. Além disso, a decepção com o lançamento da Cybertruck e os atraso no Roadster minaram a confiança na Tesla.
Apesar disso, as ações da companhia de Musk não sofreram tanto. Nesta sexta-feira, operavam em ligeira queda, em US$ 438,60, cerca de 2,5% abaixo do valor registrado no fechamento do último pregão. Investidores acreditam que Musk conseguirá se tornar referência em inteligência artificial e na venda de robôs humanóides para realizar funções básicas em residências.