counter Brasil usa mais IA que o resto do mundo – Forsething

Brasil usa mais IA que o resto do mundo

O brasileiro é novidadeiro, a gente sabe. Não faz muito tempo, contei de um estudo do LinkedIn que mostrou que 84% dos profissionais aqui do país consideram divertido experimentar a IA e aprender coisas novas todos os dias . Uma nova pesquisa, esta da consultoria PwC, comprova nossa vocação early adopter: as ferramentas de inteligência artificial são mais usadas no Brasil que no resto do mundo.

Vamos ver na ponta do lápis: 71% dos profissionais brasileiros usaram IA ao menos uma vez nos últimos 12 meses, um índice bem acima da média global, de 54%. E, como costuma acontecer com toda tecnologia que vira moda por aqui, o entusiasmo veio rápido. Entre os brasileiros que testaram, 83% dizem que a IA melhorou a qualidade do trabalho e 79% relatam ganho de produtividade (para efeito de comparação, esses dados no mundo são respectivamente 75% e 74%.)

A gente sabe que percentual não quer necessariamente dizer muita coisa, então é importante explicar que o levantamento mergulhou numa quantidade bem grande de dados. Foram ouvidos 49.843 profissionais em 48 países, entre os meses de julho e agosto de 2025.

 

Experimentar, sim. Engrenar no uso, não necessariamente

Agora, do mesmo jeito que se empolga, o brasileiro também se desempolga. A pesquisa, que se chama Global Hopes and Fears 2025, indica que apesar de se animar em testar os modelos de IA, apenas 26% dos profissionais do país (14% no mundo) efetivamente fazem uso diário delas. Em parte por questões comportamentais, no melhor estilo “fogo de palha”, mas não só. Existe aí uma questão de implantação: muitas empresas ainda lidam com a questão de conciliar as promessas da tecnologia com a segurança de seus dados, sistemas e procedimentos

Um grupo ainda menor, de apenas 10% no Brasil (6% no mundo), afirma usar diariamente agentes de IA, a próxima fase da IA generativa, que o leitor da coluna também conhece, com sistemas inteligentes executando tarefas de forma autônoma e tomando decisões. Quer dizer, a IA tem transformado a forma como o trabalho acontece, mas a rotina ainda não absorveu todo o seu potencial.

Continua após a publicidade

 

Onde está a oportunidade para as empresas

Isso é natural (e esperado, eu diria), como mostra a ideia de Difusão de Inovações, apresentada nos anos 1960 pelo sociólogo norte-americano Everett M. Rogers, que a gente menciona informalmente com frequência ao falar de curva de adoção de tecnologia: quando surgem novidades, sempre pinta um grupo pequeno que testa primeiro (inovadores e early adopters, como nós, brasileiros), depois ganha escala quando chega na maioria inicial e na maioria tardia, até sobrar o grupo que resiste ao máximo (retardatários).

Da teoria para o cotidiano, dá para apontar que esse descompasso entre promessa e adoção abre um espaço evidente para as empresas. Se o uso diário ainda é restrito, então há margem para acelerar produtividade, inovação, vantagem competitiva e qualificação das equipes, desde que a implantação venha acompanhada de estratégia e treinamento, e não apenas de licença de ferramenta e um “se vira”.

Publicidade

About admin