O movimento conhecido como “Sell America” (venda américa) ganhou força em meio às incertezas políticas nos Estados Unidos e ao retorno de Donald Trump ao centro do debate econômico. Em entrevista ao programa Mercado, o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, explica que o estilo de governar de Trump reacendeu receios no mercado e levou investidores globais a reduzirem, ainda que de forma marginal, a forte concentração de recursos nos EUA, buscando diversificação em outros países.
Segundo William, não se trata de uma saída em massa dos Estados Unidos, que seguem como principal destino do investimento global, tanto direto quanto em portfólio. O que ocorreu foi um ajuste tático: grandes gestores diminuíram a exposição de 70% para algo como 65% e realocaram essa fatia em mercados como Brasil, México, Coreia do Sul e Japão. Mesmo pequenas mudanças, diz ele, geram impacto relevante nos preços dos ativos ao redor do mundo.
Nesse contexto, o Brasil passou a chamar mais atenção. Com juros elevados, commodities fortes e valuation ainda barato em comparação a outras bolsas globais, o país virou destino natural dessa redistribuição. O reflexo aparece no Ibovespa, que subiu 3,3% em um único pregão, bateu novo recorde aos 171.817 pontos. Para William, o recado é claro: não é que o mundo esteja abandonando os EUA, mas o investidor voltou a olhar com mais interesse para oportunidades fora do eixo tradicional.