Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, não compareceu nesta terça-feira, 13, a uma audiência no Capitólio, sede do legislativo americano, sobre o caso Jeffrey Esptein, bilionário acusado de tráfico sexual de adolescentes morto por suicídio na prisão em 2019. Ele havia sido intimado junto a sua esposa, Hillary Clinton, ex-secretária de Estado, pelo pelo Comitê de Supervisão do Congresso dos EUA, que lida com a investigação sobre o escândalo sexual. Agora, ele pode responder a desacatado, culminando em acusações criminais.
Embora a sessão de Hillary só esteja prevista para quarta-feira, 14, ela adiantou em carta assinada com o marido que não se apresentará. Na carta de convocação, o presidente republicano do comitê investigativo, James Comer, disse a Bill era “supostamente próximo” de Ghislaine Maxwell , uma socialite britânica que atuava como braço direito de Epstein. No momento, ela cumpre pena de 20 anos de prisão.
“Dados seus relacionamentos anteriores com o Sr. Epstein e a Sra. Maxwell, o Comitê acredita que você tem informações sobre as atividades deles que são relevantes para a investigação do Comitê”, escreveu Comer.
Em resposta a Comer, os Clinton argumentaram que “cada pessoa precisa decidir quando já viu ou teve o suficiente e está pronta para lutar por este país, seus princípios e seu povo, não importando as consequências”, acrescentando: “Para nós, esse momento chegou”. Eles também disseram que “não há explicação plausível para o que você está fazendo além de política partidária”.
“O senhor intimou oito pessoas além de nós. O senhor dispensou sete dessas oito sem que nenhuma delas dissesse uma única palavra ao senhor. Não fez qualquer tentativa de obrigá-las a comparecer. Na verdade, desde que iniciou sua investigação no ano passado, o senhor entrevistou um total de duas pessoas”, afirmaram.
O democrata apareceu em várias fotos do espólio de Epstein divulgadas pelo Comitê. Em declarações anteriores, um porta-voz de Clinton disse que o democrata cortou relações com o financista em 2019 e não tinha conhecimento dos abusos. Gates, por sua vez, indicou que estava arrependido de ter sido amigo de Epstein durante entrevista à emissora americana CNN em 2021: “Foi um grande erro passar tempo com ele, dar-lhe a credibilidade de estar lá”.



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Entenda o caso
Epstein conviveu com milionários de Wall Street, membros da realeza (notadamente, o príncipe Andrew) e celebridades antes de se declarar culpado de exploração sexual de menores em 2008. As acusações que o levaram à prisão em 2019 ocorreram mais de uma década após um acordo judicial que o protegia. Ele foi encontrado morto por enforcamento pouco mais de um mês após parar atrás das grades.
Como promessa de campanha, Trump disse que liberaria os documentos relacionados ao caso se retornasse à Casa Branca. Em janeiro, quando o republicano publicou arquivos sobre a investigação, um clima de insatisfação tomou conta: as informações divulgadas já eram conhecidas. Pressionado, o presidente dos EUA virou alvo de uma teoria da conspiração dentro da sua base política, a Make America Great Again (MAGA), de que está em uma lista secreta de pessoas que se beneficiavam do esquema de Epstein.
Em setembro, os democratas da Câmara divulgaram uma suposta carta de Trump a Epstein. O documento já havia sido publicado pelo jornal americano The Wall Street Journal em julho, mas o republicano negou a veracidade. Tratava-se de um desenho de uma mulher nua com mensagens insinuantes, parte de um álbum de aniversário organizado para o financista em 2003.
No X, antigo Twitter, os democratas afirmam que receberam o “bilhete de aniversário de Trump para Jeffrey Epstein, que o presidente disse não existir”, questionando: “O que ele está escondendo? Divulgue os arquivos!”, em referência aos apelos para que todos os documentos relacionados ao caso Epstein sejam tornados públicos. A nota assinada por Trump diz, dentro dos contornos de um corpo feminino: “Feliz aniversário – e que cada dia seja outro segredo maravilhoso”.
Em resposta, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Taylor Budowich, alegou que a assinatura na carta não é de Trump. Também no X, ele compartilhou documentos assinados recentemente pelo presidente dos EUA numa tentativa de comprovar a falsificação. Mas uma reportagem do jornal americano The New York Times, publicada em 2016, mostra que a assinatura do republicano evoluiu e mudou com o passar do tempo. Os documentos obtidos pelo NYT mostram assinaturas muito parecidas com a do bilhete a Epstein.
A relação entre os dois é antiga: eles faziam parte de círculos sociais de elite de Nova York e da Flórida. Em 2002, Trump disse à revista New York que o financista era “fantástico” e “muito divertido de se estar por perto”. Ele também contou que a dupla se conhecia há 15 anos, acrescentando: “Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são do tipo mais jovem”.