Muito além das polêmicas levantadas com a saída de Pedro do BBB, há outro episódio deste final de semana que vale ser recordado. Quando um participante do quarto branco, Mateus, deixou Tadeu Schmidt numa saia-justa ao vivo neste domingo, 18, mesmo sem ter tido a intenção de protestar, o apresentador de imediato o retrucou. Primeiro, Mateus disse que o desmaio da outra participante foi “uma tragédia”.
“A gente teve um propósito de só sair desmaiando, e a Rafaella honrou isso. A fome representou o que é o Brasil, e doeu a fome em nós. A gente discutiu que a gente tem apetite e muitas pessoas passam fome lá fora”, afirmou o brother, mencionando o sacrifício do grupo e o desmaio, que marcou o fim do Quarto Branco.
Depois falou que a experiência do tal quarto branco remeteu à vida dos brasileiros que sofrem com a fome. Tadeu, sem graça, teve que fazer uma intervenção para se explicar. “Sobre a Rafaella, ela está ótima. Outra coisa: vamos manter um certo critério, porque fome é outra coisa, é tragédia, terrível”, disparou Tadeu. Ele ainda defendeu a produção, afirmando que o desafio foi monitorado. “A gente consultou nutricionista, médicos e tínhamos certeza que ninguém ia passar mal”.
Entretanto, a justificativa de Tadeu é contraditória. Os participantes sobreviveram por cinco dias apenas à base de bolachas e água racionadas. Isso é sim passar fome. Ricardo Negro, inclusive, desistiu da dinâmica um dia antes do fim justamente por não suportar a privação alimentar, Rafaella desmaiou de fraqueza e todos choraram de… fome.
Não custa lembrar: fome é a privação crônica ou grave de alimentos, resultando em falta de nutrientes essenciais para o corpo funcionar, e é a manifestação mais severa da insegurança alimentar, onde a pessoa fica um dia ou mais sem comer, com consequências sérias como desnutrição e morte, sendo um problema complexo ligado à pobreza e desigualdade. A ONU define fome pela falta de acesso consistente a alimentos, impactando qualidade e quantidade da dieta. O BBB fez os participantes, ainda que em um ambiente controlado, sentir esta sensação – tão triste e real na vida de milhões de pessoas pelo mundo. Não admitir isso é minimizar os impactos da privação de alimentos na vida das pessoas e fazer disso um espetáculo cruel televisionado.