counter Ator de ‘Dona de Mim’ celebra representatividade PCD na TV: “Narrativa rica” – Forsething

Ator de ‘Dona de Mim’ celebra representatividade PCD na TV: “Narrativa rica”

Dona de Mim, novela das 7 da Globo, chega ao fim na próxima sexta-feira, 9de janeiro, e deixa um marco histórico: ter dois personagens com deficiência inclusos na trama de forma naturalizada. Essa, pelo menos, é a opinião de Pedro Fernandes, intérprete do personagem Peter, ao refletir sobre a experiência no folhetim de Rosane Svartman. Com um personagem bem-humorado e sonhador, Pedro Fernandes realizou dois sonhos em um: fazer uma novela na Globo e ter um papel que não se restringe à sua deficiência.

Pedro Fernandes, ator que vive Peter em 'Dona de Mim'
Pedro Fernandes, ator que vive Peter em ‘Dona de Mim’Luis Moras/Mandawa Estúdio/Reprodução

“Esse personagem até então era um personagem de apoio, um personagem pequeno, mas ele foi ganhando um corpo por causa da narrativa que representa, é uma narrativa rica de conteúdo. O texto e o olhar da direção formaram uma junção muito linda que resultou em discutir sobre sobre esse lugar da pessoa com deficiência”, afirma Pedro em entrevista a VEJA. Pedro tem paralisia cerebral, mas conta que isso nunca foi um impeditivo para que ele fizesse o que ama. Aos 12 anos, começou a fazer teatro e ali viveu boa parte de sua carreira. “Já sofri preconceitos, inclusive de diretores que me falaram para procurar outra profissão. Mas aquilo me motivava a continuar buscando, melhorando e a continuar na carreira”, conta Pedro. Dona de Mim foi a estreia do ator na televisão, após a roteirista Rosane Svartman assisti-lo na peça Meu Corpo Está Aqui, que trata de vivências sexuais de pessoas com deficiência. 

Em um ano em que o debate sobre representatividade na televisão ficou mais evidente com a inclusão de três protagonistas negras ao mesmo tempo na programação da Globo, outras minorias puderam também refletir sobre o espaço que suas histórias devem ter na dramaturgia. “Em Dona de Mim, a gente tem a personagem da Haonê, que a deficiência dela não é uma questão no arco dramático dela. Isso é muito rico. É aí que nós atores queremos chegar, de não precisar colocar deficiência em primeiro plano”, diz Pedro sobre Pam, interpretada pela atriz Haonê Thinar. Na trama, Pam é uma moça centrada, boa ouvinte e muito dedicada ao trabalho. Ela integra um trio de amigas junto de Leona (Clara Moneke) e Kami (Giovanna Lancelotti), que adoram curtir um forró no bairro onde vivem. No desenvolvimento de Peter, também houve naturalização. “Peter foi super protegido pelo pai, virou rebelde, pichou galpão, pichou um salão de beleza. Ele fez coisas que são morais, mas é importante falar sobre essa imoralidade também”, diz Pedro. 

Celebrando este bom início, o ator tem planos de prosseguir atuando na televisão. “Eu queria muito fazer um vilão PCD [sigla para “pessoa com deficiência], até para tirar essa imagem do PCD bonzinho, do PCD super-herói, do PCD que é um anjo enviado de Deus. Assim como eu tenho um sonho de falar sobre sexo PCD na televisão, com uma narrativa rica e criativa, sem falar por falar”, comenta. E crava: “o próximo personagem que vier tem que ser do mesmo nível de narrativa que foi o Peter para mim”, completa.

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