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Ataque hacker à TV do Irã transmite mensagem de apoio dos EUA: ‘Ajuda está a caminho’

Hackers interromperam a transmissão via satélite da TV estatal do Irã, a Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB, na sigla em inglês), e exibiram imagens de apoio dos Estados Unidos às manifestações e um discurso do príncipe herdeiro exilado, Reza Pahlavi, no domingo 18. No ataque, o grupo também pediu para que os policiais parassem de “apontar armas para o povo”, em referência à repressão do regime iraniano aos protestos antigovernamentais contra o aumento dos custos de vida.

Um vídeo transmitia um discurso de Pahlavi, que saiu do Irã para fazer treinamento de piloto de caça em uma base da Força Aérea dos Estados Unidos em 1978. Com a queda da monarquia pela Revolução Islâmica no ano seguinte, ele nunca pôde retornar ao país e lidera a oposição no exterior. Na declaração, ele apelou aos agentes de segurança para que se juntem ao povo nos protestos o quanto antes.

“Tenho uma mensagem especial para os militares. Vocês são o Exército Nacional do Irã, não o Exército da República Islâmica. Vocês têm o dever de proteger suas próprias vidas. Não lhes resta muito tempo”, advertiu. 

Além disso, textos veiculados sinalizavam que os manifestantes tinham apoio da comunidade internacional. Um deles dizia que “o presidente dos Estados Unidos (Donald Trump) prometeu diversas vezes ficar ao lado do povo do Irã na luta contra o regime islâmico”, acrescentando: “Ajuda está a caminho”.

Outras mensagens afirmavam que a Europa também apoiava os protestos e alertavam que as autoridades fariam “de tudo para manter a população no escuro”. O ataque ocorre em meio ao bloqueio geral de internet no país, impedindo que a população tenha acesso à informação. O perfil oficial de Pahlavi divulgou o vídeo exibido pelos hackers. A agência de notícias iraniana Fars afirmou que a emissora estatal reconheceu a invasão no sinal de televisão por uma “fonte desconhecida”, mas não comentou sobre o conteúdo transmitido. 

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Este não é, no entanto, o primeiro ataque hacker à TV do Irã. Em 1986, o jornal americano The Washington Post revelou que a CIA ajudou os aliados do príncipe iraniano a transmitirem uma mensagem clandestina durante 11 minutos em rede nacional. Na época, o sinal de duas emissoras da República Islâmica foi interceptado. Em 2022, durante a onda de manifestações contra a repressão feminina no país, imagens de líderes exilados de um grupo da oposição foram exibidas em diversos canais, exigindo que o aiatolá Ali Khamenei, autoridade máxima do Irã, fosse morto.

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Repressão e ameaças

As manifestações que se espalharam pelo Irã no fim de dezembro tiveram início em meio ao agravamento da crise econômica, marcada por inflação elevada, desemprego e forte desvalorização da moeda local. Os protestos rapidamente se expandiram para diversas regiões do país e passaram a incorporar críticas diretas ao governo e à atuação violenta das forças de segurança na repressão aos atos. Desde então, estima-se que mais de 20 mil manifestantes tenham sido detidos.

Dados da Human Rights Activists News Agency (HRANA), dos Estados Unidos, indicam que ao menos 3.766 pessoas morreram em meio à repressão, enquanto outros 8.949 casos de morte seguem sob investigação. Outras fontes, como autoridades iranianas ouvidas pela agência de notícias Reuters, afirmaram que o número de mortos já passou de 5.000. Durante manifestações anteriores, em 2022, ex-detidos já haviam relatado episódios de estupro, tortura e espancamentos em centros de detenção.

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Diante dos relatos de brutal repressão, com pelo menos 3.500 pessoas mortas segundo organizações de direitos humanos, Trump vinha ameaçando atacar o país militarmente e instou os iranianos a “tomarem as instituições”. Nas redes sociais, ele também disse que analisava “opções muito fortes” para responder à matança de manifestantes, inclusive militares.

Na quarta-feira 14, o republicano baixou o tom, dizendo ter sido informado de que o número de mortes estava diminuindo e que acreditava ter sido adiado, ou cancelado, um plano de Teerã para execuções em larga escala de manifestantes. Um dia depois, na quinta, Washington anunciou uma série de novas sanções econômicas contra autoridades de segurança e bancárias do Irã, acusando-as de orquestrar uma repressão violenta contra protestos pacíficos e de lavar bilhões de dólares em receitas petrolíferas.

Em meio à escalada das tensões, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, responsabilizou Trump por mortes ocorridas na onda de protestos que assola o país e vem sendo reprimida duramente pelas forças de segurança.

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“Consideramos o presidente americano culpado pelas mortes, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”, disse Khamenei no sábado 17, retomando declarações de que Washington estaria insuflando os protestos. Na sequência, ele citou uma “conspiração americana” para “devorar o Irã” e “subjugar o Irã militar, política e economicamente”.

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