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Após Trump ameaçar invasão, Sheinbaum rebate e pede ‘coordenação’ México-EUA

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta sexta-feira, 9, que pediu ao ministro das Relações Exteriores, Juan Ramón de la Fuente, para que fortaleça a coordenação com os Estados Unidos. A ordem ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar à emissora americana Fox News que vai “começar agora a atacar por terra os cartéis (mexicanos)“. Trata-se de uma escalada das tensões na América Latina, reflexo da deposição do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, levado preso pelas forças americanas.

“Ontem, pedi ao Ministro das Relações Exteriores, Juan Ramon de la Fuente, que entrasse em contato direto com o Secretário de Estado (dos EUA, Marco Rubio) e, se necessário, conversasse com o Presidente Trump para fortalecer a coordenação”, afirmou Sheinbaum na sua costumeira coletiva de imprensa matinal.

Qualquer ataque militar em território mexicano sem o consentimento do governo local seria uma violação do direito internacional, além de representar uma investida sem precedentes contra um aliado e importante parceiro comercial dos Estados Unidos. Não é a primeira vez que Trump ameaça o país, embora a declaração desta sexta marque um tom mais agressivo. No domingo 4, ele disse que as drogas estavam “inundando” o México e que “teremos que fazer alguma coisa”. Depois, afirmou que os cartéis eram “muito fortes” por lá.

Em entrevista anterior à Fox News, o republicano revelou que ofereceu a Sheinbaum o envio de tropas dos EUA para combater os cartéis de drogas no país. A líder mexicana, que rejeita qualquer interferência estrangeira, negou. Em resposta às acusações de que estava fazendo pouco para combater esse tipo de crime, ela reiterou que “o México coopera com os Estados Unidos, inclusive por razões humanitárias, para impedir que o fentanil e outras drogas cheguem à sua população, especialmente aos jovens”.

O México está no centro da crise de opioides nos EUA: o fentanil tem o país como o principal ponto de origem, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas de 2025. As overdoses por fentanil e outros opioides sintéticos causaram mais de 100 mil mortes por ano nos Estados Unidos desde 2021. Em dezembro passado, Trump designou a droga como “arma de destruição em massa”.

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Cartéis na mira

Ataques terrestres contra cartéis no México representariam uma expansão significativa da atuação militar dos Estados Unidos na América Latina. As duas organizações criminosas mais poderosas do país, o Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nova Geração, controlam vastos territórios e estão envolvidas em uma violenta disputa por praças, território de venda e produção de drogas, que matou mais de 30 mil pessoas no ano passado.

Em fevereiro de 2025, Trump designou seis cartéis mexicanos como organizações terroristas, uma medida que o México condenou por ameaçar sua soberania e potencialmente justificar uma intervenção militar. A presidente Sheinbaum propôs reformas constitucionais para fortalecer as proteções contra operações estrangeiras não autorizadas e rejeitou consistentemente qualquer presença militar dos Estados Unidos lá.

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Na segunda-feira5, ela afirmou que as Américas “não pertencem” a nenhuma nação em particular, uma resposta indireta à declaração de Trump sobre o “domínio” de Washington sobre todo o Hemisfério Ocidental após a prisão de Maduro. Após a operação em Caracas, Trump disse ter pressionado a homóloga mexicana a permitir o envio de militares americanos contra os cartéis, uma oferta que, segundo ele, Sheinbaum já havia rejeitado anteriormente.

Ainda não está claro se o presidente buscará autorização do Congresso americano para ataques no México. A Constituição dos Estados Unidos concede apenas ao Legislativo autoridade para declarar guerra, embora, historicamente, os chefes do Executivo do país tenham lançado operações militares sem declarações formais (como ocorreu na Venezuela no último final de semana).

 

 

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