Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 7, a interceptação do petroleiro Bella 1, com bandeira da Rússia, no Atlântico Norte. No X, antigo Twitter, o Comando Europeu dos EUA informou que “embarcação foi apreendida no Atlântico Norte em cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal dos EUA”. A perseguição ao navio teve início em 21 de dezembro, quando agentes da Guarda Costeira tentaram subir no navio perto da Venezuela, mas falharam.
A Rússia havia enviado um submarino e outras embarcações para escoltar o petroleiro, informou o jornal americano The Wall Street Journal na terça-feira 6. Moscou pediu que Washington interrompa a perseguição ao navio, disse o WSJ, citando três autoridades americanas. Segundo a agência de notícias estatal russa RIA, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que estava monitorando “com preocupação” a situação em torno do barco.
O navio-tanque, que tentava entrar na Venezuela para buscar petróleo no momento da perseguição, é sancionado pelos EUA desde o ano passado por transportar petróleo iraniano que é revendido, segundo autoridades americanas, para financiar terrorismo. O transponder do Bella 1 estava desligado desde 17 de dezembro, o que significa que sua posição exata era desconhecida.
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A sua rota também teria mudado para noroeste, em direção à Groenlândia ou Islândia, afirmaram os oficiais ao NYT no final de dezembro. A tripulação era supostamente composta por cidadãos russos, indianos e ucranianos e integra a frota fantasma de petroleiros que transportam petróleo da Rússia, Irã e Venezuela, em violação das sanções aplicadas por uma série de países.
Não há uma explicação clara para o motivo da tentativa de escapar das forças americanas, já que outros dois petroleiros interceptados perto da Venezuela concordaram em ser abordados neste mês. Trata-se, portanto, de um movimento incomum. A perseguição ao Bella 1, segundo o The New York Times, exigiria uma equipe especializada em lidar com tripulações com possível comportamento hostil.
O presidente Donald Trump anunciou na terça-feira um acordo pelo qual empresas dos Estados Unidos vão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam retidos na nação sul-americana devido ao bloqueio americano, em mais um sinal de que Washington está coordenando ações com a administração interina de Delcy Rodríguez desde a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas no último fim de semana.