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Após queda de Maduro, Petro diz que operação dos EUA na Colômbia é uma ‘ameaça real’

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta sexta-feira, 9, uma ação militar dos Estados Unidos no país é uma “ameaça real”. Após a queda do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, o presidente americano, Donald Trump, lançou uma série de advertências contra nações mundo afora. Nos últimos dias, Trump voltou a alegar, sem provas, que a Colômbia era “governada por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os EUA” e chegou a afirmar que uma intervenção em Bogotá “soava bem”. 

Citando a invasão ao Panamá no século XX, Petro advertiu que as palavras de Trump sobre uma operação militar representam um risco genuíno e que “a perspectiva de remover (a ameaça) depende das conversas em andamento”. Segundo o líder colombiano, os Estados Unidos estão tratando outras nações como parte de um “império americano”, uma estratégia que pode levar os EUA a ficar “isolado do mundo”.

Questionado sobre as estratégias de defesa da Colômbia em caso de ataque, Petro disse que prefere o caminho da diplomacia e que “há trabalho sendo feito” através do diálogo. Ele, contudo, salientou que a “história da Colômbia mostra como ela responde a grandes exércitos” e adiantou que um embate não seria realizado com “armas que não temos”, mas com outras técnicas. 

“Em vez disso, dependemos das massas, das nossas montanhas e das nossas selvas, como sempre fizemos”, disse o mandatário.

Petro também criticou as ações promovidas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês). Ele afirmou que os agentes atuam como “brigadas nazistas” ao perseguir latinos-americanos nas ruas. Desde que retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump tem promovido uma cruzada anti-imigração que já deportou mais de 600 mil pessoas. O governo americano também registrou a “deportação voluntária” de 1,9 milhão de indocumentados.

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Embates

As tensões entre Petro e Trump, adversários de longa data, chegaram a um ponto crítico no domingo 4, quando o republicano criticou o líder sul-americano após a captura de Maduro. Falando a repórteres a bordo do Air Force One, Trump voltou a alegar que o colombiano liderava um esquema de drogas que mirava os EUA e advertiu, sem dar mais detalhes, que “ele não vai ficar nisso por muito tempo”. 

Em resposta, Petro chamou o líder americano de “senil”, acrescentando: “O rótulo que Trump me dá, de foragido do narcotráfico, é um reflexo de seu cérebro senil. Ele vê os verdadeiros libertários como narcoterroristas porque não entregamos nem o carvão nem o petróleo”. 

O cenário parecia ter amenizado após um telefonema entre os dois líderes na quarta-feira 7. Trump descreveu a conversa com Petro como uma “grande honra” e sinalizou que um encontro presencial ocorreria em um “futuro próximo”. Na ocasião, um funcionário de Bogotá afirmou que a ligação simbolizou uma virada de 180º na relação entre as partes.

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No entanto, as declarações recentes de Petro indicam que o bate-papo não trouxe uma melhora significativa nas relações. O presidente informou que a ligação durou menos de uma hora — “a maior parte ocupada por mim”, de acordo com ele — e abordou o tráfico de drogas na Colômbia e a visão de Bogotá a respeito das ações americanas na Venezuela.

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Narcotráfico

A Colômbia é um importante centro do tráfico internacional de drogas no continente americano. A cocaína é a principal substância contrabandeada. O país também possui reservas significativas de petróleo, o que vem sendo levantado como principal interesse da política externa americana, como na Venezuela. Além disso, o território é conhecido pelas exportação de ouro, prata, esmeraldas, platina e carvão.

Os Estados Unidos sancionaram Bogotá em outubro do ano passado, alegando que as autoridades colombianas não conseguiam conter o narcotráfico. Na ocasião, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que a produção de cocaína na Colômbia havia “explodido para o nível mais alto em décadas, inundando os Estados Unidos e envenenando americanos” após Petro assumir o poder, em 2022. Na época, o presidente contrapôs que o país combate o narcotráfico “há décadas” e que seu governo havia desacelerado a produção de cocaína.
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