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Após crise por acordo UE-Mercosul, governo francês sobrevive a duas moções de censura

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, sobreviveu nesta quarta-feira, 14, a duas moções de censura no Parlamento, movidas em retaliação à aprovação do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul na semana passada. A moção apresentada pela França Insubmissa, de esquerda radical, recebeu 256 votos a favor, 32 votos aquém do que o necessário. A segunda, submetida pelo ultradireitista Reagrupamento Nacional, teve adesão ainda menor: 142 votos. O fracasso é reflexo da falta de apoio dos socialistas e dos republicanos.

No Parlamento francês, o primeiro-ministro disparou: “No fundo, não precisamos de concorrentes internacionais; já temos vocês. Sofremos com essas constantes tentativas de sabotagem interna, e vocês agem, senhoras e senhores deputados, como atiradores mentirosos, disparando pelas costas do executivo justamente no momento em que precisamos enfrentar essas perturbações internacionais”.

No próximo sábado, 17, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve assinar com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai o tratado que criará a maior zona de livre‑comércio do mundo, com 700 milhões de consumidores. Mas os agricultores franceses, apoiados por toda a classe política de seu país, opõem-se veementemente ao pacto, por temerem o impacto das importações de carne, arroz, mel e soja sul‑americanos, em troca da exportação de automóveis e máquinas europeias.

+ As razões políticas por trás da oposição de Macron a acordo UE-Mercosul

Os partidos que respaldaram a censura consideram que o governo não fez o suficiente para impedir a assinatura do tratado, já que poderia ter levado o tema à Justiça Europeia ou até ameaçado reduzir sua contribuição ao orçamento da União Europeia. Macron, que já viu cinco dos seus indicados ao cargo de premiê serem derrubados, lida com um cenário complexo: domar a crise política para as eleições presidenciais de 2027. Embora não não possa concorrer novamente, seu candidato enfrentará uma extrema direita fortalecida.

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Enquanto isso, ele e sua ala centrista nunca estiveram tão enfraquecidos. Fosse o pleito hoje, Jordan Bardella, principal candidato da extrema direita, venceria em qualquer cenário com larga vantagem, com 36% de intenção de votos no primeiro turno, segundo o Instituto Odoxa. Derrubaria os candidatos da esquerda e nomes da centro-direita que compuseram o vasto rol de primeiros-ministros escolhidos e logo caídos ao longo da gestão do presidente da França.

 

 

 

 

 

 

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