O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou na noite de quarta-feira 14 que se reunirá nos Estados Unidos com seu homólogo Donald Trump em 3 de fevereiro, marcando uma aparente redução das tensões diplomáticas entre ambos os mandatários. O convite, porém, acende também um alerta, já que outros chefes de Estado que se reuniram com o republicano na Casa Branca já foram alvo de humilhação pública.
Petro confirmou sua viagem aos Estados Unidos em declarações durante uma reunião televisionada com seus ministros. “Já veremos os resultados dessa reunião”, acrescentou o presidente de esquerda.
A Colômbia é o principal produtor de cocaína do mundo, mas Petro garante que, durante o seu governo, houve um recorde de apreensões dessa droga.
“Finalmente há uma comunicação que permite que o presidente e as autoridades dos Estados Unidos saibam realmente o que está acontecendo com a luta que temos travado neste governo contra os narcóticos”, afirmou ele na quarta-feira.
Trump e Petro protagonizaram duras confrontações verbais no ano passado e a tensão aumentou após o ataque americano à Venezuela em 3 de janeiro, com ameaças do americano sobre possíveis ações militares na Colômbia. Logo após a operação em Caracas, ele descreveu o colombiano como um “homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”, acrescentando: “Ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”.
Ambos diminuíram o tom na semana passada após uma conversa telefônica na qual concordaram em apaziguar os ânimos. Em sua primeira conversa bilateral, os mandatários se comprometeram a realizar ações conjuntas para combater o tráfico de drogas na Colômbia, em especial o Exército de Libertação Nacional (ELN), uma guerrilha que opera na fronteira com a Venezuela.
Relações azedas
Colômbia e Estados Unidos eram aliados históricos em assuntos militares e econômicos, mas, desde que Trump assumiu seu segundo mandato em 2025, ele e Petro protagonizaram os piores momentos da relação bilateral.
O governo Trump retirou a certificação da Colômbia como aliado no combate às drogas, ao considerar insuficientes os esforços do país sul-americano para deter o tráfico de cocaína para os Estados Unidos. Washington também cancelou o visto de Petro.
Após a intervenção em Caracas, além das acusações infundadas contra Petro relacionadas ao narcotráfico, o presidente americano disse que lhe parecia “aceitável” realizar uma incursão militar em solo colombiano. Em resposta, seu homólogo afirmou haver agora uma “ameaça real” de ação militar dos Estados Unidos contra a Colômbia, acusou Washington de tratar outras nações como parte de um “império” e afirmou que agentes do ICE, a polícia de imigração americana, de agirem como “brigadas nazistas.