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Além da ‘Economist’: como a imprensa internacional vê o julgamento de Bolsonaro

Em reportagem de capa da edição da quinta-feira, 28, a revista britânica The Economist destacou o julgamento por suposto envolvimento na trama golpista do ex-presidente Jair Bolsonaro, que será realizado entre os dias 2 e 12 de setembro, afirmando que o processo em curso no Supremo Tribunal Federal pode dar um exemplo de como países se recuperam de “uma febre populista” e que o Brasil “trocou de lugar” com os Estados Unidos em termos democráticos.

Na imagem da capa, o brasileiro aparece em uma ilustração em alusão ao “viking do Capitólio”, um dos invasores à sede do legislativo federal dos Estados Unidos, em 2021, quando apoiadores de Donald Trump tentaram impedir que o Congresso certificasse a vitória de Joe Biden, eleito presidente.

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A escolha vem num momento em que o presidente americano usa o poderio econômico de seu país para intimidar parceiros econômicos mundo afora com tarifas — com destaque especial para o Brasil, onde a justificativa para a aplicação da punição econômica está ligada a acusações de “motivação política” por trás das investigações sobre Bolsonaro e trouxe consequências sem precedentes para o ministro que lidera o caso, Alexandre de Moraes, com sanções por meio da Lei Magnitsky.

Outros veículos internacionais também vêm dando destaque ao caso. Em texto publicado nesta sexta-feira, 29, o New York Times afirma que muitos brasileiros, “e muitos americanos que assiste de longe”, veem o julgamento de Bolsonaro como um “triunfo da democracia”, mas levanta preocupações de que o Judiciário tenha “excedido seus limites”.

“Durante o período em que Bolsonaro liderou o país, de 2019 a 2022, o presidente e seus apoiadores ameaçaram juízes, questionaram eleições, sugeriram um golpe militar e desencadearam uma onda de falsidades disseminadas pela internet”, diz o texto.

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Em sequência, o jornal americano faz uma referência à invasão ao Capitólio: “O Brasil, que emergiu de uma ditadura brutal há apenas 40 anos, terá conquistado algo que os Estados Unidos não conseguiram: levar um ex-presidente a julgamento por acusações criminais de que ele tentou se manter no poder após perder uma eleição”.

Para o britânico The Guardian, “embora Bolsonaro negue as acusações, muitos especialistas jurídicos argumentam que as evidências contra ele tornam a condenação e uma sentença severa quase certas”.

Em reportagem desta semana sobre o “monitoramento em tempo integral” determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, o francês Le Monde analisa que o julgamento de Bolsonaro, definido pelo jornal como “Trump dos Trópicos”, “criou uma profunda divisão entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou o indiciamento de seu aliado como uma ‘caça às bruxas’ e puniu os responsáveis por colocá-lo no banco de réus”.

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A agência de notícias Reuters, por sua vez, afirma que “a pressão dos EUA não fez nada para atrapalhar o julgamento de Bolsonaro e parece ter dado ao seu rival, o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, uma vantagem nas pesquisas e um inimigo estrangeiro comum para sua frágil coalizão de governo”.

A agência analisa ainda os rachas internos entre aliados bolsonaristas, “que não têm certeza de quem representará o ex-presidente nas eleições do ano que vem, quando ele será proibido de concorrer”.

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