Uma operação de repressão à imigração conduzida pelo governo do presidente Donald Trump terminou com a morte de uma mulher de 37 anos em Minneapolis, no Estado de Minnesota, nesta quarta-feira (7), aprofundando o confronto político entre autoridades locais democratas e a Casa Branca.
O episódio provocou protestos nas ruas, levou o prefeito da cidade a exigir a saída imediata dos agentes federais e reacendeu memórias dos distúrbios que se seguiram à morte de George Floyd, em 2020.
A vítima, cuja identidade não havia sido divulgada até a tarde desta quarta, foi baleada por um agente federal durante uma ação do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas).
Segundo o Departamento de Segurança Interna, a mulher teria tentado atropelar agentes ao “usar o veículo como arma”, o que teria levado um oficial a abrir fogo.
A versão foi duramente contestada pelas autoridades municipais. Em entrevista coletiva, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, classificou o relato federal como “besteira” e afirmou que o disparo foi resultado de “uso imprudente de poder por parte de um agente, que acabou matando alguém”.
Frey disse ter assistido a imagens do incidente e declarou que a presença do ICE “não está trazendo segurança, mas caos” à cidade.
O chefe da polícia local, Brian O’Hara, afirmou que não há indícios de que a mulher fosse alvo de qualquer investigação. Segundo ele, ela aparentemente usava o carro para bloquear uma rua onde os agentes atuavam. A mulher foi atingida na cabeça, socorrida e morreu no hospital.
A investigação ficará a cargo do FBI, em conjunto com o Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota, que avaliará se houve violação das leis estaduais.
A operação faz parte de uma ofensiva migratória ampliada pelo governo Trump, que prevê o envio de cerca de 2.000 agentes federais a Minneapolis por várias semanas.
O governo justifica a ação como resposta ao que chama de imigração ilegal em larga escala e fraudes em programas sociais estaduais.
Desde o retorno de Trump à Presidência, ao menos dez tiroteios envolvendo agentes federais de imigração foram registrados em diferentes regiões do país, segundo a imprensa americana.
O episódio provocou forte reação política. O governador de Minnesota, Tim Walz, pediu calma à população, enquanto criticou a presença armada de agentes federais. Já o procurador-geral do Estado, Keith Ellison, afirmou que a decisão do presidente de enviar o ICE à região “espalha terror pelas comunidades” e prometeu responsabilizar eventuais infratores da lei.
A deputada Ilhan Omar, democrata cujo distrito inclui o local do tiroteio, descreveu a mulher morta como uma “observadora legal”, termo usado para pessoas que monitoram ações policiais e federais durante protestos.
Centenas de manifestantes se reuniram no bairro residencial onde ocorreu o disparo, a cerca de 1,5 km do local onde George Floyd foi morto por um policial branco há quase seis anos. Com apitos, cartazes e gritos de “ICE fora”, os protestos expuseram o clima de tensão. “Você se sente impotente”, disse à imprensa local Venus DeMars, moradora da região. “É devastador ver isso acontecer de novo.”
Diante do histórico recente de violência policial e da atual escalada da política migratória federal, autoridades locais temem que a permanência do ICE leve a novos confrontos.
“As pessoas vão se indignar e exercer seus direitos”, disse o chefe de polícia. “Mas precisamos evitar que mais uma tragédia aconteça.”
Enquanto a Casa Branca defende a operação e os agentes envolvidos, Minneapolis entra novamente em estado de alerta, o que já se configura como mais um capítulo da polarização política e institucional nos Estados Unidos sob o novo mandato de Trump.
