O ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, contará com um renomado advogado americano junto à sua equipe jurídica no processo legal que enfrenta nos Estados Unidos. Responsável por libertar o ativista Julian Assange em 2024, o jurista Barry Pollack irá atuar como advogado particular do venezuelano ao longo de seu julgamento, cujos primeiros capítulos iniciaram na segunda-feira, 5.
Maduro atraiu holofotes do mundo inteiro ao se apresentar para a sua primeira audiência em um tribunal federal de Nova York e causou surpresa por contar com Pollack a seu lado. Acusado pelos crimes de posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e de conspiração para narcoterrorismo e tráfico de cocaína, ele pode ser condenado à prisão perpétua. O ex-ditador se declarou inocente de todas as acusações.
Pollack é muito respeitado no meio jurídico, sendo sócio da Harris St Laurent & Welscher, uma firma de advocacia localizada em Wall Street, o coração do distrito financeiro de Nova York. Em sua primeira manifestação no tribunal, o defensor argumentou contra a legalidade da captura de Maduro por forças americanas e defendeu que o cliente tem direito a imunidade como chefe de um Estado soberano — embora a Casa Branca classifique o venezuelano como um “presidente ilegítimo”.
+ Operação dos EUA na Venezuela viola ‘princípio fundamental’ do direito internacional, diz ONU
+ OEA se reúne nesta terça-feira para discutir questão da Venezuela
O caso deve ser difícil para o jurista, embora ele tenha se especializado em julgamentos complicados. Definido pelo ranking de advogados da Chambers USA como um defensor “minucioso e perspicaz” que “vive, respira e dorme julgamentos”, Pollack foi responsável por negociar um acordo judicial para a libertação de Assange, encerrando uma disputa jurídica que durou mais de dez anos.
Na época, Pollack costurou um acordo junto aos governos dos EUA, Reino Unido e Austrália para libertar o ativista e jornalista do WikiLeaks. Os termos do acerto determinavam que Assange concordaria em se declarar culpado por conspirar para obter e divulgar documentos confidenciais do governo americano.
Em troca, Assange seria condenado a apenas 62 meses de prisão, que seriam descontados dos 7 anos que passou como refugiado na embaixada do Equador em Londres, e dos 5 anos nos quais foi prisioneiro na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh, também na capital inglesa. Na prática, os termos permitiram que o ativista retornasse à Austrália como um homem livre.