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Adolescente sob custódia é vítima de abuso sexual no Irã, afirma grupo de direitos humanos

Um adolescente de 16 anos foi sexualmente agredido por forças de segurança iranianas enquanto estava detido durante a atual onda de protestos no país, iniciada no fim de dezembro. A denúncia foi divulgada nesta segunda-feira, 19, pela organização Kurdistan Human Rights Network (KHRN), com sede na França, e se soma a uma série de investigações internacionais sobre tortura e violência contra manifestantes no Irã.

Segundo a KHRN, duas pessoas detidas na cidade de Kermanshah, no oeste do país — uma delas menor de idade — relataram ter sido submetidas a agressões físicas e abuso sexual enquanto estavam sob custódia das forças de segurança. A organização afirma manter contato com fontes próximas à família do adolescente, mas diz que o bloqueio de comunicações imposto pelo governo iraniano dificulta a obtenção de informações mais precisas sobre seu estado de saúde e localização atual.

De acordo com relatos obtidos pela entidade, os detidos afirmaram que, durante o transporte em viaturas policiais, foram espancados com cassetetes e sofreram pressão com um bastão na região anal, por cima da roupa. As denúncias fazem parte de um padrão recorrente de violência relatado por ex-detidos no país.

Outras organizações internacionais também alertam para o agravamento da repressão. O Centro Abdorrahman Boroumand para os Direitos Humanos no Irã, com sede nos Estados Unidos, afirma ter documentado a transferência de ao menos 549 manifestantes, entre eles 51 mulheres, para a prisão central de Yazd e diz haver “extrema preocupação” com a integridade física dos detidos.

“Com o arrefecimento dos protestos de rua, as prisões arbitrárias aumentaram, assim como o risco de tortura para os detidos”, afirmou Roya Boroumand, diretora executiva do centro. Segundo ela, ao longo das últimas décadas a entidade registrou inúmeros casos de morte sob custódia, além de graves episódios de tortura.

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Onda de protestos

As manifestações que se espalharam pelo Irã no fim de dezembro tiveram início em meio ao agravamento da crise econômica, marcada por inflação elevada, desemprego e forte desvalorização da moeda local. Os protestos rapidamente se expandiram para diversas regiões do país e passaram a incorporar críticas diretas ao governo e à atuação violenta das forças de segurança na repressão aos atos. Desde então, estima-se que mais de 20 mil manifestantes tenham sido detidos.

Dados da Human Rights Activists News Agency (HRANA), dos Estados Unidos, indicam que ao menos 3.766 pessoas morreram em meio à repressão, enquanto outros 8.949 casos de morte seguem sob investigação. Outras fontes, como autoridades iranianas ouvidas pela agência de notícias Reuters, afirmaram que o número de mortos já passou de 5.000. Durante manifestações anteriores, em 2022, ex-detidos já haviam relatado episódios de estupro, tortura e espancamentos em centros de detenção.

A ONG curda Hengaw informou que uma mulher grávida, identificada como Sholeh Sotoudeh, morreu após ser atingida por disparos de forças de segurança durante protestos no noroeste do país. A entidade também relatou a morte de Soran Feyzizadeh, de 40 anos, que teria morrido sob custódia após ser detido no início do mês.

Um porta-voz da KHRN afirmou que a organização segue investigando ao menos dois novos relatos de mortes que teriam ocorrido enquanto os detidos estavam sob custódia das forças de segurança iranianas.

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