O acordo UE–Mercosul, assinado no sábado no Paraguai, marca uma virada estratégica para o Brasil. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostra que os acordos preferenciais e de livre-comércio do país hoje cobrem apenas 8% das importações mundiais de bens. Com a entrada em vigor do pacto com a União Europeia, esse alcance saltaria para 36%, considerando que o bloco respondeu por 28% do comércio global em 2024.
Para a indústria, o impacto é direto: 54,3% dos produtos negociados — mais de 5 mil itens — terão tarifa zerada no mercado europeu já na largada do acordo. A leitura da CNI é de que o pacto amplia previsibilidade, integra cadeias e abre espaço para ganhos de competitividade, especialmente em bens manufaturados e agroindustriais.
No agro, os números ilustram a oportunidade. Segundo a Abrafrutas, uvas terão tarifa zerada de imediato (hoje 11%); abacate cai de 4% em até 4 anos; limões e limas reduzem 14% em 7 anos; melão e melancia, 9% em 7 anos; e maçã, 10% em 10 anos. O tema é destaque no Programa Mercado, que vai discutir os impactos do acordo com especialistas e representantes do setor produtivo. Segundo a associação, o Brasil exporta frutas como melão e melancia em períodos de entressafra na UE, além de frutas tropicais que não são produzidas por lá.