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Acordo UE-Mercosul terá benefício limitado, e maior para os sul-americanos, diz consultoria

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que, depois de mais de duas décadas de negociações arrastadas, entrou em uma inédita fase de negociações finais na semana passada, tem um papel simbólico e político importante, mas, em termos econômicos, deve render ganhos tímidos aos dois blocos ao longo do tempo.

É esta a avaliação da consultoria internacional Oxford Economics, sediada no Reino Unido, que baseou sua análise em estudos próprios e também em relatórios de avaliação feitos pelo próprio Conselho Europeu para mensurar os impactos da abertura comercial entre os dois blocos.

“A principal importância do acordo é sinalizar o comprometimento dos dois blocos com um sistema de comércio baseado em regras e com a cooperação internacional”, escreveu a consultoria em um relatório divulgado a clientes nesta sexta-feira, 16. “O Mercosul deve ver o seu relevante setor agrícola ganhar com a ampliação do livre acesso ao mercado europeu. Contudo, as tarifas serão retiradas gradualmente e uma série de exceções devem limitar os benefícios para setores-chave. Igualmente importante, a União Europeia vai continuar mantendo proteções sobre suas importações agrícolas, como as cotas tarifárias.”

De acordo com a Oxford Economics, as exportações de grãos e outros produtos agrícolas para a União Europeia respondem por 2% de todo o produto interno bruto conjunto dos países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Um estudo encomendado pelo Parlamento Europeu, divulgado em julho e mencionado pela Oxford Economics em sua análise, estimou que o PIB da União Europeia deve ficar apenas 0,1% maior, ao longo do tempo, do que poderia ser sem a ampliação do comércio que deve vir do acordo com os parceiros sul-americanos. Mais beneficiado, o Mercosul deve ter um ganho no PIB da ordem de 0,3%, sendo o Brasil, com incremento também de 0,3%, e a Argentina, com 0,4%, os mais beneficiados de todos os países envolvidos dos dois lados.

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Para a maioria dos países europeus, o incremento no PIB é zero – caso da França, Grecia ou Irlanda. Para o Paraguai, a abertura das fronteiras com os europeus deve resultar em perdas: o PIB é estimado em ficar 0,1% menor com o acordo em comparação ao cenário sem o acordo. As estimativas foram feitas levando em consideração todas as atualizações que foram feitas aos termos do contrato ao longo das várias rodadas de negociação e debate realizadas desde a última grande tentativa de conclusão do contrato, em 2019.

“O acordo comercial UE-Mercosul deve levar a um ganho moderado para ambos os lados, com os países do Mercosul devendo ver um benefício econômico um pouco maior”, diz o relatório. A diferença de magnitude dos ganhos entre os dois lados do oceano se dá principalmente pelo fato de o mercado europeu ser muito maior para os sul-americanos do que o oposto.

Os produtos vendido pelos países da União Europeia aos do Mercosul representam apenas 2,3% do total das exportações do bloco europeu, e as importações embarcadas daqui para lá são 2,2% de tudo o que chega do resto do mundo. Na via oposta, a União Europeia compra 14,5% das exportações do Mercosul e responde por 20,4% de suas importações.

Apesar dos achados econômicos tímidos, a recomendação do relatório feito para o Parlamento Europeu foi para que os países membros acatem o acordo. “Embora a nossa avaliação seja de que os resultados esperados sejam modestos, o acordo comercial UE-Merscosul equilibra oportunidades econômicas com medidas de proteção e compromisso sustentável, fazendo dele uma ferramenta estratégica no sentido de estimular uma maior integração em meio às tensões comerciais globais”, concluem os pesquisadores.

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