O retorno de Rogério (Eduardo Moscovis) em Três Graças deu o que falar. O personagem, dado como morto após um acidente de barco, voltou às telas para desmascarar o plano de sua esposa, a vilã Arminda (Grazi Massafera), com seu sócio Santiago Ferette (Murilo Benício) – a cena logo se tornou um dos assuntos mais comentados no X, sendo elogiada. No entanto, apesar dos comentários positivos, a novela das nove não inovou ao reviver Rogério: nos últimos tempos, vários folhetins da Globo se aproveitaram dos “mortos-vivos” para balançar e dar emoção as tramas.
O caso mais icônico foi o de Odete Roitman (Deborah Bloch) no remake de Vale Tudo, que reapareceu no último episódio com vida mesmo depois de ter sido baleada por Marco Aurélio (Alexandre Nero). Outros dois casos merecem ser mencionados: o de Dona de Mim, em que Ellen (Camila Pitanga) forjou a própria morte; o de Êta Mundo Melhor!, quando Sandra (Flavia Alessandra) aparece novamente como Baronesa Deschamps em busca de vingança.
Para o doutor em Comunicação pela ECA-USP Lucas Martins, esse fenômeno clichê da teledramaturgia é uma estratégia para movimentar a história em um momento que audiência pode estar baixa. “Me parece que os folhetins recorrem a isso para sacudir a trama na reta final ou para ter uma reviravolta para audiência. Há casos que a volta não estava prevista na história, algo que não aconteceu em Três Graças, é possível ver que aquela volta já estava prevista. Trata-se de um recurso muito utilizado, porque vem desse arcabouço melodramático consolidado de autores que vão recorrer a esses expedientes, seja pensando nisso desde o início ou em algum momento que precise emergencialmente desse recurso”, diz à coluna GENTE.
Segundo Martins, a emissora precisa dar uma atenção especial nos roteiros, para que esse recurso não seja utilizado repetidamente. “É preciso de uma curadoria das telenovelas, um olhar mais cuidadoso da direção para evitar esse tipo de situação em todas as tramas. Não acredito que seja uma crise, mas é claro que vivemos hoje em um outro panorama, com séries verticais roubando o espaço”, completa.