Horas após o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrar explicações da Polícia Federal sobre o que ele considerou “falta de empenho” na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, enviou as respostas ao gabinete.
A Polícia Federal não quis emitir um posicionamento sobre as críticas do ministro e respondeu apenas nos autos do processo, que tramita em sigilo. No ofício ao STF, o chefe da corporação justificou que precisou de mais tempo do que o concedido por Toffoli para o planejamento operacional da ação e para a organização das equipes. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados – São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
O ministro se irritou com a PF porque a operação não foi deflagrada no prazo estabelecido por ele. Ao dar sinal verde para o cumprimento de mandados de busca e apreensão, na segunda-feira, 12, às 14h52, Toffoli determinou que as diligências fossem cumpridas dentro de 24 horas, ou seja, na terça-feira. A operação, no entanto, foi realizada nesta quarta.
Em seu despacho, o ministro afirmou que “eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal, inclusive diante de inobservância expressa e deliberada de decisão por mim proferida”. Toffoli disse ainda que qualquer prejuízo ao inquérito seria de “inteira responsabilidade” da corporação.
Toda operação policial depende de autorização judicial. É comum que, após a decisão, as forças policiais levem dias e até semanas, a depender da complexidade do caso, para organizar logisticamente as ações.