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A reparação histórica – e em dose dupla – que ‘Três Graças’ faz

Entre os pontos positivos de Três Graças, uma reparação histórica vale destacar: o tratamento respeitoso com histórias de personagens LGBTQIA+. Se em novelas recentes houve pouco caso de tramas envolvendo casais homoafetivos, a atual novela das 9 da Globo consegue abordar o tema com realismo, mas sem deixar a sensibilidade de lado. Recentemente, a explosão de homofobia do vilão Ferette (Murilo Benício) com a filha, Lorena (Alanis Guillen), que vive um namoro intenso com Juquinha (Gabriela Medvdovski) virou até conteúdo nas redes sociais do próprio ator, que ressaltou que homofobia é crime. “É muito importante falarmos sobre isso. Denuncie: 180”, dizia parte da mensagem no vídeo publicado por Benício nesta semana.

Nos comentários, a atriz Maeve Jinkings celebrou tanto o post como a escrita de Aguinaldo Silva, que assina Três Graças ao lado de Virgílio Silva e Zé Dassilva, pela forma como a novela aborda a história de amor do casal “Loquinha”. “Que bom essa novela bancando o desenvolvimento da trama LGBT, com texto direção e atores tão engajados em contar esse lado da história. A HISTÓRIA agradece. Tô um pouco apaixonada por Aguinaldo. Obrigada por esse post, Murilo! E parabéns!”, comentou a atriz.

O comentário de Maeve não surpreende quem acompanhou a antecessora de Três Graças, Vale Tudo, cujo remake assinado por Manuela Dias prometia mais visibilidade ao casal Laís (Lorena Lima) e Cecília (Maeve Jinkings) do que havia acontecido na trama original, mas não aconteceu. Pelo contrário, a história do casal acabou escanteada e até esquecida, com poucas demonstrações de afeto entre as duas personagens. Em contrapartida a isso, o desenvolvimento de Lorena e Juquinha aconteceu aos poucos, com uma construção cuidadosa que já ganhou torcida nas redes sociais.

Em outra parte da novela, o romance entre Leonardo (Pedro Novaes) e Viviane (Gabriela Loran) também vem arrematando fãs. Assim como sua intérprete, a moça é uma mulher trans bem-sucedida e segura de si. Na trama, a farmacêutica precisou lidar com o preconceito do rapaz, que, a princípio, rejeitou a ideia de se relacionar com ela por sua história, mas que não resistiu à paixão no final das contas. Se em 2019 A Dona do Pedaço conseguiu no máximo exibir um selinho da personagem Britney (Glamour Garcia) — outra personagem trans — em Abel (Pedro Carvalho) somente no penúltimo capítulo, Três Graças avançou muitas casas com o desenrolar do romance que já virou namoro e rendeu até cenas de sexo em pleno horário nobre.

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A novela do trio Silva prova que é possível mostrar histórias LGBT que, obviamente, tocam em lugares de violência lamentavelmente, mas que também chegam a momentos felizes, românticos e bem desenvolvidos — sem ser panfletário, apenas retratando um recorte da realidade.

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