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A reação de líderes europeus ao ataque dos EUA à Venezuela

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos ampliou o coro de reações entre líderes europeus, com condenações ao regime chavista combinadas a alertas sobre o respeito ao direito internacional e os riscos de instabilidade regional.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o povo venezuelano “está hoje libertado da ditadura de Nicolás Maduro” e defendeu que a transição seja pacífica, democrática e respeite a vontade popular, sob a liderança do presidente eleito em 2024, Edmundo González Urrutia. O ministro francês da Europa e dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, condenou a operação americana, afirmando que a captura de Maduro viola o direito internacional e reiterando que nenhuma solução política duradoura pode ser imposta de fora.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou “grande preocupação” com a situação na Venezuela e apelou a uma resolução “em pleno respeito pelo Direito Internacional”. A alta representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, também pediu moderação após conversar com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

A Alemanha adotou uma posição cautelosa. o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que Maduro “levou o país à ruína” e que a última eleição foi fraudada, razão pela qual Berlim, assim como outros países, não reconhece sua presidência. Segundo ele, o líder venezuelano teve um “papel problemático” na região. Merz ressaltou, porém, que a classificação jurídica da intervenção dos Estados Unidos é complexa e deverá ser analisada com calma. “O direito internacional continua sendo o parâmetro”, afirmou, acrescentando que não se pode permitir que a instabilidade política se instale na Venezuela e que o objetivo deve ser uma transição ordenada para um governo legitimado por eleições.

A Dinamarca também expressou preocupação. O ministro das Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen, descreveu os acontecimentos como “dramáticos” e defendeu a desaceleração da operação americana, com retorno ao diálogo e respeito às normas internacionais.

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No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que todos os países devem respeitar o direito internacional. Disse que pretende falar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para “apurar os fatos” e garantiu que o Reino Unido não participou da operação.

A Espanha adotou um tom firme. O primeiro-ministro Pedro Sánchez lembrou que Madri não reconhece o regime de Maduro, mas afirmou que também não reconhecerá “uma intervenção que viola o direito internacional e empurra a região para um horizonte de incerteza e belicismo”. Sánchez pediu que todos os atores pensem na população civil, respeitem a Carta das Nações Unidas e trabalhem por uma transição “justa e dialogada”. Segundo ele, o governo espanhol acompanha de forma “exaustiva” os acontecimentos, com embaixada e consulados em funcionamento, e faz um apelo à desescalada e à responsabilidade.

A Itália voltou a destoar de parte do bloco. A primeira-ministra Giorgia Meloni disse acompanhar os desdobramentos desde o início e reiterou que a Itália nunca reconheceu a vitória eleitoral proclamada por Maduro, tendo condenado a repressão do regime e apoiado a aspiração do povo venezuelano por uma transição democrática. Meloni afirmou que, historicamente, a Itália não considera a ação militar externa o caminho para derrubar regimes totalitários, mas avaliou como legítima uma intervenção de caráter defensivo contra ameaças híbridas à segurança, como no caso de Estados que favorecem o narcotráfico.

A preocupação com o impacto internacional da operação também foi expressa pelas Nações Unidas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou “profunda preocupação” com a escalada de tensão e alertou para possíveis implicações regionais. Por meio de seu porta-voz, Stéphane Dujarric, classificou os acontecimentos como “um precedente perigoso” para a ordem internacional.

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