Ainda que nos últimos dias o Tribunal de Contas da União (TCU) tenha atirado contra o próprio pé ao chamar para si a crise ao questionar por linhas tortas a liquidação extrajudicial do Banco Master, quem acompanha de perto a investigação garante que não há exatamente um clima de pizza no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita sob sigilo o inquérito que apura irregularidades na transferência de papéis – que logo se descobriram podres – da instituição de Daniel Vorcaro para o Banco de Brasília, o BRB.
A transação foi vetada pelo Banco Central, enquanto a Polícia Federal reuniu indícios, conforme consignado pelo juiz Ricardo Leite, de “um suposto esquema articulado para fraudar o sistema financeiro, iludir órgãos de controle, prejudicar investidores e obter vantagens indevidas”.
No final do ano passado, o ministro Dias Toffoli, do STF, chamou para si as investigações que apuram a venda de papéis sem valor do grupo de Vorcaro para o BRB e decretou sigilo absoluto sobre o processo. De férias, o magistrado deixou um questionário inteiro a ser dirigido aos dirigentes das duas instituições e ao diretor de Fiscalização do BC, responsável pela descoberta das fraudes.
Pessoas próximas a Toffoli afirmam que, com os elementos do momento, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) podem ter muito a explicar. Costa vai prestar um novo depoimento no caso no início de fevereiro, enquanto há indícios de que Ibaneis, que não é formalmente investigado, era informado pari passu da operação com o Master.
Para quem acompanha a investigação, também estão fora do risco de acabar em pizza as investigações de que fundos de previdência de estados como o Rio de Janeiro e o Amapá, área de influência de caciques como o governador Cláudio Castro (PL) e o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil), investiram pesadamente em papéis do Master.
São pelo menos 18 fundos de pensão que aplicaram 1,8 bilhão de reais entre 2023 e 2024 em papeis não cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O Rioprevidência foi o líder em investimentos – 970 milhões de reais. A previdência do Amapá ocupa a segunda colocação em aplicações furadas, com 400 milhões de reais.