O Supremo Tribunal Federal atravessa um início de ano marcado por desconforto interno e atenção redobrada à própria imagem. Em meio ao avanço do caso Banco Master e à exposição pública de ministros, o presidente da Corte, Edson Fachin, tem mantido conversas reservadas com colegas para discutir como conduzir o tribunal em um ano eleitoral e de alta tensão entre os Poderes (este texto é um resumo do vídeo acima).
O tema foi comentado no programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, com análise do colunista Robson Bonin, da coluna Radar. Segundo Bonin, desde o fim do ano passado o STF passou a ocupar uma “vitrine de contestação”, cenário que tradicionalmente incomoda os ministros.
Por que o STF entrou em um momento de exposição?
O avanço das revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master colocou o Supremo no centro do noticiário durante o recesso institucional. Histórias sobre contratos e relações envolvendo familiares de ministros ganharam espaço em um período de escassez de outros temas políticos, ampliando a repercussão e o desgaste da Corte.
Qual foi o impacto das decisões no fim do ano?
Decisões tomadas no fim de 2025 e no início deste ano pelo ministro Dias Toffoli foram amplamente questionadas e ajudaram a impulsionar o noticiário negativo. As críticas cresceram à medida que surgiram detalhes sobre contratos do Banco Master envolvendo parentes de ministros, incluindo a esposa do ministro Alexandre de Moraes e familiares de Toffoli.
O que preocupa Edson Fachin?
De acordo com Bonin, a principal preocupação de Fachin é preservar a imagem institucional do STF em um ano que tende a ser marcado por conflitos entre os Poderes. Investigações em curso no tribunal devem atingir figuras relevantes do Congresso Nacional e do próprio governo federal, o que tende a elevar a pressão política sobre a Corte.
Como as investigações aumentam a tensão com o Congresso?
Um dos focos de atrito envolve apurações sobre emendas parlamentares, relatadas pelo ministro Flávio Dino, que avançam em diferentes gabinetes e podem atingir parlamentares influentes. Há ainda investigações relacionadas ao escândalo do INSS, que se aproximam de figuras ligadas ao governo federal, ampliando o clima de tensão institucional.
O caso Banco Master divide o Supremo?
Segundo Bonin, a intenção de Fachin é estimular um debate coletivo dentro da Corte. Entre os 11 ministros, há posições distintas: alguns apoiam integralmente as decisões de Toffoli, enquanto outros mantêm críticas reservadas, evitando manifestações públicas. O objetivo é administrar as divergências sem ampliar o desgaste externo.
O barulho externo reflete o clima interno?
Apesar da repercussão pública intensa, Bonin afirma que, internamente, o Supremo segue seu ritmo habitual. Muitos ministros ainda estão fora do país em férias, e as conversas indicam que o funcionamento da Corte não foi afetado na mesma proporção do debate público. Ainda assim, o presidente do STF tenta antecipar problemas e conduzir o tribunal com cautela diante de um cenário político sensível.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.