Se o presidente Lula decidir enfim criar o Ministério da Segurança Pública, promessa de campanha que nunca saiu do papel, um fiel escudeiro do petista promete ser a principal pedra no sapato para evitar que o escolhido seja o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, nome que aparece entre os principais candidatos a comandar a nova pasta depois da saída de Ricardo Lewandowski. Trata-se do ministro da Casa Civil Rui Costa.
O juiz aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) deixou o governo na quinta-feira, 8, após sucessivos pedidos familiares, e fomentou uma lista de virtuais concorrentes. Lula nomeou como ministro interino o secretário-executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, que já foi secretário-executivo do Tribunal Superior Eleitoral e secretário-geral do Supremo. Ele deve ficar no cargo até o presidente tomar sua decisão política.
Além de Andrei, que já teria o veto de Costa, aparecem como cotados para uma eventual pasta da Segurança Pública o ex-ministro Wellington Lima e Silva, que por pouco mais de dez dias ocupou a pasta da Justiça no governo de Dilma Rousseff e hoje é o advogado-geral da Petrobras, e ex-governadores alinhados ao governo e dispostos a levar a pauta da segurança pública, principal preocupação dos eleitores no ano em que Lula tentará um quarto mandato, ao status de carro-chefe da disputa presidencial.
As ressalvas de Rui Costa a André Rodrigues são antigas e renovadas cada vez que o nome do chefe da Casa Civil volta a circular como ligado ao escândalo dos respiradores, uma compra fracassada de 300 ventiladores hospitalares para o Consórcio Nordeste durante a pandemia de Covid-19 e que gerou prejuízo de 48 milhões de reais para os cofres públicos. Costa era o presidente do consórcio na época da transação furada e, conforme revelou VEJA, procurou recentemente interlocutores do Judiciário para mapear possíveis desfechos do caso.
Revelado por VEJA em outubro de 2022, o inquérito já passou pelas mãos da PF baiana, do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e mostra, entre outras coisas, que o grupo de estados comandado por Rui Costa pagou quase 50 milhões de reais para comprar equipamentos de saúde durante o avanço da Covid, não recebeu os produtos e ainda atestou que os insumos haviam sido entregues “em perfeitas condições”. Rui Costa sempre alegou inocência e disse que ele é quem denunciou a fraude e pediu investigação às autoridades.