O governo do presidente americano, Donald Trump, intensificou a pressão sobre o México para permitir que militares dos Estados Unidos realizem operações conjuntas contra cartéis no país para desmantelar laboratórios de fentanil, informou o jornal The New York Times nesta quinta-feira, 15.
A iniciativa ocorre após a incursão de forças americanas na Venezuela para capturar o ditador Nicolás Maduro, que enfrenta acusações relacionadas a narcotráfico em Nova York, e ameaças crescentes do republicano contra ações semelhantes em outros países da América Latina.
Autoridades americanas ouvidas pelo NYT revelaram a intenção que forças dos Estados Unidos, sejam unidades de operações especiais ou agentes da CIA, acompanhem soldados mexicanos em incursões contra supostos laboratórios de fentanil.
Na semana passada, Trump disse em entrevista à emissora conservadora Fox News que os cartéis controlam o México e sugeriu que Washington poderia realizar ataques terrestres na nação vizinha para combater o crime organizado.
Em resposta, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, voltou nesta semana a descartar uma intervenção militar americana para enfrentar os grupos narcotraficantes, após o que descreveu como uma “boa conversa” por telefone com o homólogo americano sobre segurança e tráfico de drogas, durante a qual também falaram sobre a soberania do México. Ela também pediu que, ao invés de uma incursão unilateral, prevaleça a “coordenação”.
Trump já havia sugerido no ano passado que militares dos Estados Unidos poderiam atuar no México, algo rejeitado repetidamente por Sheinbaum. Segundo a reportagem do NYT, o pedido foi renovado após a captura de Maduro em uma operação realizada em 3 de janeiro.
Cartéis na mira
Ataques terrestres contra cartéis no México representariam uma expansão significativa da atuação militar dos Estados Unidos na América Latina.
As duas organizações criminosas mais poderosas do país, o Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nova Geração, controlam vastos territórios e estão envolvidas em uma violenta disputa por praças, território de venda e produção de drogas, que matou mais de 30 mil pessoas no ano passado.
Em fevereiro de 2025, Trump designou seis cartéis mexicanos como organizações terroristas, uma medida que o México condenou por ameaçar sua soberania e potencialmente justificar uma intervenção militar. A presidente Sheinbaum propôs reformas constitucionais para fortalecer as proteções contra operações estrangeiras não autorizadas e rejeitou consistentemente qualquer presença militar dos Estados Unidos lá.
Na semana passada, ela afirmou que as Américas “não pertencem” a nenhuma nação em particular, uma resposta indireta à declaração de Trump sobre o “domínio” de Washington sobre todo o Hemisfério Ocidental após a prisão de Maduro.
Ainda não está claro se o presidente buscará autorização do Congresso americano para ataques no México. A Constituição dos Estados Unidos concede apenas ao Legislativo autoridade para declarar guerra, embora, historicamente, os chefes do Executivo do país tenham lançado operações militares sem declarações formais (como ocorreu na Venezuela no último final de semana).