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A disputa velada entre Lula e Tarcísio sobre a ofensiva que mirou o PCC

Cada vez mais virtuais adversários na corrida presidencial de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), travam uma espécie de disputa pela “paternidade” da megaoperação deflagrada nesta quinta-feira, 28. A ação mirou a estrutura financeira de lavagem de dinheiro coordenada pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A força-tarefa foi executada de forma conjunta pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Ministério Público Federal e polícias Federal, Civil e Militar. Classificada pelo Ministério da Justiça como uma das “maiores da história do país”, a operação cumpriu mandados em dez estados contra uma extensa rede usada pelo PCC para lavagem de dinheiro.

Mais cedo, Tarcísio foi às redes para parabenizar o trabalho de inteligência do Gaeco — o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado — e das polícias de São Paulo que, segundo ele, se “expandiu para todo o Brasil”.

Poucas horas depois, Lula também recorreu às redes para creditar ao “Estado brasileiro” o sucesso da operação coordenada. O presidente exaltou a interlocução e o “trabalho integrado” entre os estados — o qual só foi possível, afirmou, com a criação do Núcleo de Combate ao Crime Organizado pelo Ministério da Justiça.

“A população em todo o país assistiu hoje à maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui. Em atuações coordenadas que envolveram Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos estaduais, foram deflagradas três operações simultâneas nos setores financeiro e de combustíveis, envolvendo 10 estados”, publicou Lula nos perfis oficiais.

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“O trabalho integrado — iniciado com a criação, no Ministério da Justiça, do Núcleo de Combate ao Crime Organizado — permitiu acompanhar toda a cadeia e atingir o núcleo financeiro que sustenta essas práticas. Nosso compromisso é proteger cidadãos e consumidores: cortar o fluxo de dinheiro ilícito, recuperar recursos para os cofres públicos e garantir um mercado de combustíveis justo e transparente, com qualidade e concorrência leal. Seguiremos atuando com coordenação e seriedade para dar segurança às pessoas e estabilidade à economia”, finalizou o presidente.

Em entrevista coletiva no final desta manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a megaoperação da PF contra a estrutura financeira do PCC conseguiu atingir o “andar de cima” da organização criminosa — o que, segundo ele, não acontece quando se prende membros menos relevantes da facção, mas o dinheiro continua “à disposição do crime”.

A megaoperação desta quinta-feira, 28, é composta por três operações: Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), e Quasar e Tank, da Polícia Federal.

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Aliados ‘candidatos’

Aliados de Lula e de Tarcísio que pleiteiam a disputa eleitoral de 2026 também se manifestaram sobre a força-tarefa, reivindicando para suas respectivas gestões o sucesso da operação.

Foi o caso do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, e da ministra da Secretaria de Relações Institucionais de Lula, Gleisi Hoffmann. Ambos são cotadas para disputar uma vaga pelo Senado por São Paulo e pelo Paraná, respectivamente.

Derrite exaltou a atuação do Gaeco em conjunto com o MP-SP e afirmou que a lavagem de dinheiro do crime organizado utilizando postos de combustíveis existe há anos, mas que ninguém tinha “coragem para enfrentar o problema”.

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“Graças ao trabalho sério, competente, inteligente e integrado do Ministério Público, a quem eu rendo as minhas homenagens, às forças de segurança de São Paulo, lideradas pelo nosso governador Tarcísio de Freitas, que colocou a pauta do combate ao crime organizado como prioritária desde o início da gestão”, prosseguiu.

Derrite classificou, ainda, o Ministério Público do estado como o “grande cérebro” da operação, tendo iniciado o trabalho há oito meses, identificando CNPJs que faziam a lavagem de dinheiro.

Assim como Lula, Gleisi Hoffmann foi às redes para exaltar o “trabalho conjunto das forças de segurança” e para lembrar da PEC da Segurança Pública apresentada pelo Planalto e que, segundo ela, será uma das prioridades no Legislativo. “A grande operação desta quinta-feira contra o crime organizado no setor financeiro e de combustíveis comprova a importância do trabalho conjunto das forças de segurança”, disse a petista.

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“A partir de investigações do Ministério Público, os Ministérios da Justiça e da Fazenda, a Polícia Federal e a Receita atuaram de forma coordenada com um resultado muito importante para o país. É isso o que propõe a PEC da Segurança Pública enviada ao Congresso pelo governo do presidente Lula, uma das prioridades da nossa agenda legislativa”, prosseguiu Gleisi.

 

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