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A difícil missão de Gustavo Reiz na Globo após decepção em ‘Fuzuê’

O fenômeno das novelas verticais conquistou a TV Globo, que vem investindo no formato como estratégia para atrair um público cada vez mais distante da TV aberta. A aposta ambiciosa levou a emissora a resgatar Gustavo Reiz, 44 anos, autor de Fuzuê (2023), folhetim das 7 que teve uma das piores audiências da faixa nos últimos anos. Em conversa com a coluna GENTE, Reiz fala sobre a missão de emplacar o formato ainda pouco explorado no Brasil, analisa a onda dos microdramas no mundo e sai em defesa da sua última novela na emissora.

Como surgiu o convite para voltar à TV Globo? O universo dos microdramas é muito promissor e hoje é o foco do mercado audiovisual no mundo inteiro. É um formato que eu venho estudando desde o ano passado, buscando parcerias para desenvolver isso no Brasil, porque o público brasileiro tem um perfil ideal para esse tipo de produto. Então, quando surgiu a possibilidade de desenvolver esse formato aqui, eu fiquei muito motivado. Mais do que fazer adaptações, a gente precisa criar originais brasileiros.

Você acha que esse formato ajuda a conquistar um público mais jovem? Sim. Na verdade, o próprio público começou a moldar a forma de consumir. Eu vivi isso com A Escrava Mãe (2016, Record). A novela ganhou um prêmio na Ásia e começou a circular no TikTok em recortes feitos por fãs estrangeiros, como se fosse uma reedição da história. Ou seja, o público já estava adaptando a linguagem. Agora isso se consolidou. Essas tramas dialogam com um público entre 16 e 34 anos, que vem se desconectando de narrativas longas e quer satisfação rápida. A velocidade narrativa conversa muito com essa geração.

Qual projeto você está escrevendo agora? Estou finalizando Uma Babá Milionária, para o Globoplay, com 50 capítulos.

Trabalhando com foco nas redes sociais, você se sente mais criador de conteúdo ou dramaturgo? Eu acho que é um mix. O criador de microdramas se transforma num showrunner. Ele vende a história, acompanha a produção, dialoga com plataformas e agências. Não há tempo para erro: um capítulo tem um minuto e meio. Além disso, ele precisa entender de algoritmo, de engajamento. Esse gênero nasceu justamente para fisgar atenção.

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Há diferença na criação de personagens para telenovelas e para microdramas? Nas novelas verticais, os personagens são mais arquetípicos e maniqueístas. A comunicação precisa ser imediata, porque a pessoa está vendo no ônibus, na fila, em movimento. Ela precisa bater o olho e entender quem é aquele personagem. Na telenovela tradicional, você pode construir ambiguidade ao longo do tempo. No microdrama, isso quebra o pacto com o público.

Você acha que o microdrama ainda é visto como um produto menor? Não. O erro é analisar as novelas tradicional e vertical com a mesma régua. O gênero ainda está se formando no Brasil. Não temos nem crítica especializada ainda. Na China, existem mais de seis mil microdramas. Aqui tudo começou em 2020, explodiu na pandemia. É muito novo.

Você sente saudade das novelas tradicionais? Eu amo novela. Sou novelista e noveleiro. Mas escrever microdrama é estimulante porque é novo. Ainda assim, a telenovela é a base. Uma obra de 200 capítulos é outra jornada, outra complexidade. As duas linguagens convivem.

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Você deixou a Globo após Fuzuê, que não conquistou o público. O que faltou na sua obra? Foi uma novela atravessada pela pandemia. Teve um ciclo de quase quatro anos e quando chegou na TV já tinha uma frente enorme, com 100 capítulos escritos antes da estreia. Foi pensada para um mundo pré-pandemia, mais leve, escapista. Depois, o público mudou. Talvez faltasse mais conflito emocional. Mas é fácil falar agora. Enfim, cada jornada tem seus desafios e aprendizados.

Você acha que Fuzuê foi injustiçada? Não penso assim. A novela só se completa com a resposta do público. Hoje, medir sucesso só pela TV aberta é um erro. Existe streaming, consumo sob demanda. Os índices mudaram para tudo.

Você acompanha críticas? Acompanho. Acho importante, mas é preciso filtrar. Não se pode se guiar nem se destruir por críticas. É feedback, não sentença.

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