Faltando cerca de nove meses para as eleições presidenciais, o presidente Lula rebateu indiretamente nesta terça-feira, em um evento no Sul, críticas que recebeu e recebe devido ao alto número de ministérios em seus governos.
Para o petista, a multiplicidade de pastas é importante para inserir “movimentos da sociedade brasileira” no governo, além de ser proporcional à competência técnica do Executivo Federal.
“Alguém dizia que quanto menos ministérios você tem, menos gastos você tem. Eu vou dizer: quanto menos ministérios você tem, mais incompetente você é, porque você precisa colocar os movimentos da sociedade brasileira… eu por exemplo peguei o Ministério da Pesca… não tinha. Quem cuidava da pesca? A Agricultura. Eu nunca vi peixe nascer em terra”, declarou.
Desde a redemocratização, a atual gestão do petista é a que mais tem ministérios à sua disposição, com 39 no total, se igualando ao governo de sua aliada, Dilma Rousseff (2011-2016). Todos os outros governos pós-regime militar formaram menos do que 30 pastas.
Lula assumiu seu terceiro mandato, em 1º de janeiro de 2023, com 21 ministérios à disposição. Logo no primeiro ano, o petista articulou a criação de diversas pastas. Diversas delas com o objetivo claro de acomodar aliados do Centrão.
Foi o caso, por exemplo, de André Fufuca, do PP, nomeado à época para o ressuscitado Ministério dos Esportes, extinto durante a gestão de Jair Bolsonaro, e de Silvio Costa Filho, do Republicanos, nomeado para o então recém-criado Ministério de Portos e Aeroportos.
A declaração desta terça aconteceu ainda, cabe ressaltar, em meio a especulações sobre o desmembramento do atual Ministério da Justiça e Segurança Pública em duas pastas: uma para a Justiça, e outra só para a Segurança Pública.
Tal cogitação, explicitada pelo próprio Lula, foi um dos motivos para que o ex-ministro Ricardo Lewandowski deixasse o comando da pasta.