Convertida num impasse internacional por causa dos elevados custos, a crise de hospedagem que recai sobre a COP30 em Belém tem sua origem, na avaliação de fontes do governo, nos preços praticados pela ONU sobre os subsídios de hospedagem e alimentação oferecidos aos países.
Enquanto, para Baku, que recebeu a COP29, o subsídio da ONU foi de até 490 dólares por dia, em Belém, a verba prevista é de apenas 145 dólares.
A organização calcula valores a serem pagos em diferentes cidades do planeta a partir da realidade local do custo de vida, sem incluir na conta o impacto que o evento pode gerar na cidade. É aí que essa conta “tabelada” não fecha em Belém.
A capital do Pará, por não estar nos roteiros dos grandes eventos internacionais, tem um valor na tabela da ONU muito abaixo do que seria o correto para a cidade que receberá uma Conferência do Clima.
Os 145 dólares previstos para Belém ficam, por exemplo, muito abaixo dos valores praticados em países que já receberam edições das Conferências do Clima — a COP de Dubai, realizada em 2023, tinha ajuda de custo de até 590 dólares o dia.
Ao levar a COP30 para Belém sem, no entanto, atualizar os valores do subsídio a padrões de cidades que já receberam esse evento, a ONU acabou contribuindo para a crise em curso com as delegações de muitos países, avaliam fontes do governo.
Embora ofereça hospedagens a 200 dólares, o Brasil “ficou caro” para países que terão, para alimentação e hospedagem, apenas os 145 dólares previstos pela ONU.
A pressão para tirar a COP30 de Belém e levar o evento para São Paulo ou Rio de Janeiro — algo descartado, diga-se –, também encontra justificativa na tabela de subsídio da entidade. Os valores previstos pela organização para diárias em São Paulo (229 dólares) e no Rio de Janeiro (223 dólares) são maiores que o destinado a Belém.
O caminho em estudo, para resolver essa diferença, segundo fontes do Itamaraty ouvidas pelo Radar, é uma “adaptação” dos valores dessa tabela da ONU ao contexto gerado pelo evento em Belém. A ONU, por sua vez, quer que o governo brasileiro complete a conta.
“Não faz sentido. Se a ONU pode pagar 590 dólares na conferência em Dubai, porque em Belém tem que ser 145 dólares? Dinheiro tem”, questiona um interlocutor do governo.