As críticas de Taís Araujo aos rumos de Raquel, sua personagem no remake de Vale Tudo, jogaram luz aos bastidores agitados da novela das 9 da TV Globo, que vão além do set de filmagem. A sala de roteiro, por exemplo, vem registrando um frenético vai-e-vem de colaboradores desde antes da estreia do folhetim, em março desde ano. Algo atípico para produções do horário nobre da emissora.
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A produção escrita por Manuela Dias começou com a colaboração de cinco nomes: Aline Maia, Claudia Gomes, Márcio Haiduck, Pedro Barros e Sérgio Marques, que escreveu várias novelas ao lado de Gilberto Braga – autor da versão de 1988 ao lado de Aguinaldo Silva e Leonor Bassères (1926-2004). Em fevereiro, um mês antes do lançamento, Luciana Pessanha entrou para o time. Já em maio, foi a vez de Bruna Paixão. Só que neste meio tempo, alguns nomes já tinham deixado suas cadeiras, como Barros, Haiduck e Gomes.
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Da equipe atual, o único nome “intocável” é o de Sergio Marques, 80 anos, que foi recontratado pela Globo para ser justamente um dos colaboradores no remake. É que ele entende bem o estilo dos autores originais. Até sua saída da emissora, em 2018, foi colaborador de quase todos os projetos de Gilberto, de O Dono do Mundo (1991) até Babilônia (2015). Ele só não esteve em Insensato Coração (2011) porque estava envolvido com Passione (2010). Sergio é o “01” de Manuela e quem ela costuma ouvir com certo afinco.
Já Aline Maia é a única negra da equipe. Pesquisadora de conteúdo, imagens e personagens para produtos audiovisuais, é doutoranda em Antropologia pelo Museu Nacional (UFRJ). Como pesquisadora na TV Globo desde 2020, esteve na produção da novela Terra e Paixão (de Walcyr Carrasco, 2023), na do longa de ficção Medida Provisória (de Lázaro Ramos, 2022); e na série Justiça 2 (de Manuela Dias, 2023). Com a mesma autora, Aline também esteve na pesquisa do especial Falas Negras (2020).
Não há confirmação oficial sobre o motivo que tem levado a tanta mudança, mas a própria Manuela, em conversa com a coluna GENTE há cerca de um mês, deixou transparecer seu “gênio peculiar”. “As cenas mais divertidas, eu mesma cuido, gosto de fazer. Não vou entregar o filé mignon assim, né? O restante, a parte que nem é tão divertida assim, o pessoal faz e eu leio depois, dou uma mexida”. Com fama de centralizadora, Manuela não é de abrir muito espaço para as criações dos demais. Por outro lado, assume todos os riscos de suas controversas alterações na obra original. Uma outra reclamação por parte da equipe seria a de que ela mesma gosta de assinar as inserções publicitárias da trama – e não são poucas. É que a cada novo projeto publicitário, o cofre agradece.