O mercado global de carbono pode movimentar até 50 bilhões de dólares nos próximos 30 anos, e o Brasil tem potencial para abocanhar cerca de 20% dessa fatia. Em entrevista ao programa VEJA+Verde, Plínio Ribeiro, conselheiro da Ambipar, detalha como o país pode transformar essa oportunidade em desenvolvimento sustentável com protagonismo internacional.
O mercado de carbono se divide entre os sistemas regulado e voluntário. Plínio explica: “O mercado regulado é definido por um teto de emissões, criado por um poder regulador, e não se trata de comercialização direta de créditos de carbono. Já o voluntário é uma ação das empresas que buscam compensar suas emissões financiando ou comprando créditos gerados por projetos de proteção e restauração florestal.”
O novo marco legal brasileiro deve acelerar o ganho de escala e integrar os dois modelos, abrindo portas para projetos florestais e soluções baseadas na natureza. O especialista destaca a experiência da Ambipar, referência mundial em soluções ambientais, capaz de operar desde a gestão de resíduos até estratégias completas de descarbonização. “Nós ajudamos mais de 20 mil clientes a mensurar e reduzir suas emissões, promovendo a descarbonização completa, desde a gestão dos resíduos até a compensação via créditos de carbono, que deveria ser o último passo para empresas realmente comprometidas”, ressalta Ribeiro.
Para o conselheiro, o sucesso do Brasil nesse setor passa por uma governança cuidadosa na definição dos limites de emissão: “A alocação do cap (limite de emissão) é a grande dificuldade. Se o cap for muito alto, tudo segue como antes; se for baixo demais, pode até inviabilizar setores inteiros. Esse processo é muito suscetível ao lobby, por isso exige atenção da sociedade”, alerta. Outro ponto decisivo é investir em transparência, fundamental para evitar práticas como a dupla contagem de créditos: “O risco da dupla contagem hoje é um dos menores no mercado de carbono, graças aos sistemas de registro e rastreabilidade existentes”, diz Ribeiro.
O setor florestal brasileiro, apesar dos desafios ligados ao caos fundiário e da necessidade de engajamento social das comunidades, pode se tornar um vetor formidável de geração de emprego e desenvolvimento rural. Com metas ambiciosas, como restaurar 12 milhões de hectares, o país pode transformar os mecanismos de carbono em ferramentas de inclusão econômica, inovação e geração de quase dois milhões de empregos.
A nova legislação também oferece caminhos para o Brasil se integrar a mercados internacionais via o Acordo de Paris (artigo 6), tornando o país competitivo na produção e exportação de créditos de carbono. Ribeiro ressalta: “O Brasil pode, por baixo, ter cerca de 20% do mercado global de créditos. Isso significaria até 60 bilhões de reais, um valor transformador para o setor ambiental brasileiro”. O papel do setor privado e das soluções baseadas na natureza deve ganhar destaque na COP30, a conferência do clima da ONU, que será realizada em Belém (PA), em novembro. O evento marca a liderança brasileira no debate climático: “A COP30 será pautada pela ação e pelo protagonismo do setor privado. Precisamos mostrar ao mundo nossas soluções”, diz Ribeiro.
O VEJA+Verde, conduzido pelo editor Diogo Schelp, traz entrevistas com empresários, personalidades, gestores públicos e especialistas sobre sustentabilidade e meio ambiente e faz parte do projeto VEJA na COP30.
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