No Brasil, onde a desigualdade é uma constante histórica, o clube dos bilionários segue abrindo espaço para novos integrantes. Em 2025, a Forbes identificou 31 estreantes, elevando para 300 o número de brasileiros com fortunas acima de R$ 1 bilhão.
Desde 2012, a revista Forbes publica sua lista de bilionários brasileiros, uma espécie de radiografia anual da elite econômica do país. O fenômeno indica não apenas a expansão da riqueza concentrada no topo, mas também revela setores e trajetórias responsáveis por criar, ou herdar, fortunas bilionárias.
O estreante mais jovem é Max Van Hoegaerden Herrmann Telles, de apenas 29 anos, filho de Marcel Telles, um dos fundadores da 3G Capital e sócio da AB InBev, a maior cervejaria do mundo. Sua fortuna é estimada em R$ 29,3 bilhões, a maior entre os novatos. O caso de Max ilustra bem como a herança continua sendo a forma mais rápida de chegar ao seleto clube.
Mas o movimento não é apenas hereditário. A WEG, multinacional de motores elétricos nascida em Jaraguá do Sul (SC), foi responsável sozinha por sete novos bilionários em 2025. Executivos de carreira e membros de conselhos, como Sérgio Schwartz (R$ 4,8 bilhões) e Harry Schmelzer Júnior (R$ 4 bilhões), aparecem lado a lado com descendentes de fundadores, mostrando como a valorização de ações pode transformar bônus e participações em fortunas pessoais. É um caso raro no Brasil de uma empresa industrial gerar bilionários fora do circuito tradicional de bancos e consumo.
A lista de estreantes também carrega nomes conhecidos do público. Iris Pássaro Abravanel, viúva de Silvio Santos, ingressa no ranking com R$ 6,4 bilhões, consolidando o patrimônio televisivo da família no SBT. Outro novato é Maurício Botelho, da Energisa, com R$ 3,2 bilhões, reforçando a importância do setor de energia em tempos de transição elétrica.
Dos 300 bilionários, 240 são homens, que concentram R$ 1,68 trilhão, e 60 mulheres, com R$ 343,7 bilhões. Desses 300, apenas dez figuram na seleta lista dos mais ricos. Vicky Safra permanece como a única mulher no Top 10, lembrando que a presença feminina, embora em crescimento, ainda é minoritária no topo da pirâmide.