Com a direita dividida e concentrada em disputas internas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveita o cenário para antecipar movimentos de campanha. A avaliação é do colunista Mauro Paulino, ao comentar os bastidores revelados em nota da coluna Radar, assinada por Robson Bonin, que aponta uma mudança estratégica no discurso do petista (este texto é um resumo do vídeo acima).
Lula considera que ficou excessivamente associado ao rótulo de “pai dos pobres” e passou a orientar auxiliares a reforçar a narrativa sobre investimentos, obras e infraestrutura. A leitura interna é que a ênfase quase exclusiva na área social garante popularidade no Nordeste, mas não tem sido suficiente para reduzir a rejeição em outras regiões do país.
Por que Lula quer mudar o foco do discurso?
De acordo com Paulino, a imagem de Lula como defensor dos mais pobres é sólida e profundamente enraizada no eleitorado, sobretudo no Nordeste. Programas como o Bolsa Família e o Fome Zero moldaram essa percepção ao longo de décadas e seguem sustentando a força do presidente nessa região.
O problema, avalia o colunista, está fora desse reduto. “A rejeição a Lula se concentra principalmente na classe média e em parcelas do eleitorado urbano, que não se sentem diretamente contempladas por esse discurso social”, afirma. Daí a decisão de ampliar a agenda e falar com mais ênfase sobre crescimento econômico e investimentos.
Como a classe média entra nessa estratégia?
Um dos exemplos citados é a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5.000 reais. A medida é vista como um gesto claro de aproximação com a classe média, segmento considerado decisivo em disputas apertadas.
Paulino destaca que esse eleitorado tem peso simbólico e capacidade de multiplicar opiniões. “A classe média não é apenas numerosa; ela influencia debates, forma opinião e ajuda a propagar narrativas favoráveis ou desfavoráveis ao governo”, explica.
Lula tenta reconquistar eleitores perdidos?
Outro ponto central da estratégia é recuperar eleitores que votaram em Lula em 2022, mas se afastaram ao longo do mandato. Parte desse grupo, segundo o colunista, migrou para um discurso mais identificado com a direita, mesmo estando em faixas de renda historicamente associadas ao lulismo.
Para Paulino, o esforço do governo é duplo: reconectar-se com esses eleitores e, ao mesmo tempo, manter a base fiel que vê em Lula o principal fiador das políticas sociais. “É um equilíbrio delicado, mas necessário para sustentar o favoritismo que as pesquisas ainda apontam”, afirma.
A divisão da direita ajuda Lula?
Na avaliação do colunista, o ambiente de conflito entre lideranças da direita cria um cenário confortável para o presidente. Enquanto adversários disputam espaço e protagonismo, Lula consegue pautar o debate público e reforçar sua presença como candidato natural à reeleição.
“O governo nada de braçada porque não enfrenta, neste momento, um projeto unificado de oposição”, resume Paulino. Para ele, a mudança de discurso é uma tentativa de ampliar o alcance eleitoral sem abrir mão da identidade que consolidou Lula como uma das figuras centrais da política brasileira.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.