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Hotel Eden: luxo romano conquista brasileiros na Itália

Pelos corredores por onde circulam os funcionários do Hotel Eden, que fica a poucos passos da Fontana di Trevi e outras joias arquitetônicas, em Roma, já dá para perceber que ali é um lugar diferente do alto padrão. A equipe da aclamada série Emily in Paris se instalou ali para gravar cenas nos quartos, no terraço e na porta do edifício histórico, e o saldo da passagem são fotografias penduradas nas paredes com o elenco, com direito a bolo. O luxo romano acolhe além do protocolo. Mas a fama conquistada por um dos lugares mais disputados na Cidade Eterna, com diárias que podem chegar a 15 mil reais por noite, é ancorada em dois pilares: legado histórico e “experiências” com comida e arte. O edifício foi construído em 1887, inicialmente como um prédio residencial, e passou a funcionar como hotel em 1889. Destacou-se como um dos mais modernos de Roma, por oferecer elevador, eletricidade e aquecimento. Foi restaurado e, desde 2017, pertence à rede Dorchester Collection.

No dia em que a coluna visitou o empreendimento, Mirko Cattini, diretor geral do Hotel Eden, pediu desculpas antecipadamente caso precisasse sair para receber, no meio da rua (a via Ludovisi), o presidente do Chade, Mahamat Idriss Déby Itno. Assim ele conduz a prestação do serviço — pessoalmente. “Estar presente, como padrone di casa (o dono da casa), é fundamental”, responde em italiano e inglês.

O fluxo de celebridades e políticos é intenso no lobby do Hotel Eden, e o número de brasileiros dobrou em relação há três anos. “Hoje, dentro da América do Sul, o Brasil é o nosso principal mercado”, revela Cattini. Ele explica que o setor de hospitalidade está se transformando em experiência, ou seja, além de bons colchões, roupas de cama sofisticadas e cristais, também interessam passeios em galerias e jantares com chefs estrelados, criando vínculos emocionais com o hóspede. Claro que a paisagem ajuda: o Hotel Eden, inclusive, tem uma das vistas mais espetaculares de Roma. No terraço, de onde se avista a cúpula da Basílica São Pedro e outros monumentos históricos, saborear um Aperol Spritz custa 150 reais.

Nos últimos tempos, houve um aumento de hóspedes brasileiros no hotel. Por quê?
Há dois anos vimos um crescimento muito claro dessa clientela. Tradicionalmente, os brasileiros eram mais fiéis aos nossos hotéis em Paris. Roma era um mercado ainda em desenvolvimento para a América do Sul, mas isso mudou. A presença deles praticamente dobrou em relação a três ou quatro anos atrás. Hoje, dentro da América do Sul, o Brasil é o nosso principal mercado. Recebemos famílias, clientes individuais e grupos de altíssimo padrão. São pessoas que compreendem o luxo, valorizam a arte, cultura, a dolce vita. Mas, acima de tudo, eles apreciam a relação humana e próxima que oferecemos.

A que você atribui esse crescimento do interesse por Roma?
A cidade passou por um processo importante de requalificação: investimentos em infraestrutura, limpeza urbana, mobilidade e a preparação para o Jubileu 2025. Houve uma melhora perceptível na imagem internacional de Roma, tanto na mídia quanto entre os viajantes.

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Pode dar um exemplo de uma experiência sob medida para o cliente?
Desde o check-in, feito de forma descontraída, com bebida de boas-vindas, até amenities personalizados todas as noites. Atualmente, oferecemos um drinque feito com avelãs da região de Roma, acompanhado de biscoitos locais chamados brutti ma buoni (tradução: feios, mas bons), feitos com amêndoa ou avelã, clara de ovo e açúcar.. São pequenos gestos, personagens, histórias e surpresas que criam vínculo emocional com o hóspede.

O hotel oferece experiências exclusivas fora do padrão tradicional?
Criamos, por exemplo, um carrinho de golfe próprio, com bancos de couro, que leva os hóspedes aos principais pontos turísticos. Para as luas de mel e aniversários, organizamos passeios surpresa com champanhe, fotos instantâneas e momentos inspirados na Dolce Vita.

Essas experiências são cobradas à parte?
Não. Fazem parte da nossa hospitalidade. São gestos que reforçam o cuidado com o hóspede.

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Como manter a identidade italiana dentro de uma rede internacional?
O hotel tem um DNA muito forte, assim como a equipe e o país. O desafio é preservar essa alma italiana e, ao mesmo tempo, trazer novas ideias, um olhar mais ousado e criativo, inspirado também pela cultura britânica do grupo.

O uso de produtos locais faz parte dessa identidade?
Sem dúvida. Isso aparece na gastronomia, nos drinques e nos ingredientes. No verão, por exemplo, servimos uma limonada artesanal feita com limões da Costa Amalfitana e manjericão fresco.

Há alguma novidade recente que represente essa transformação do hotel?
Ampliamos nosso diálogo com a arte contemporânea, por meio de parcerias com a Galleria Russo. Na gastronomia, contamos com um novo chef executivo, Salvatore Bianco, napolitano, carismático, que valoriza ingredientes locais e narrativas afetivas.

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Se você tivesse que definir o “luxo italiano” em poucas palavras, como faria?
É uma pergunta simples, mas muito complexa. Luxo pode ser parecido em qualquer lugar do mundo, no Brasil, na Itália, no Reino Unido ou na França. Mas o apelo italiano carrega muita emoção. Essa é talvez a principal diferença.

Como isso se traduz na prática, especialmente na hotelaria?
Comparando com uma experiência cinco estrelas em Paris ou Londres, eu diria que, na Itália, o “barulho” não é uma opção. Somos mestres em navegar nas áreas cinzentas. Aqui, tudo é possível. Sempre encontramos uma forma de atender às demandas, às vezes de um jeito menos ortodoxo, mas sempre com paixão, vontade e determinação.

Você acha que isso tem relação com a resistência italiana ao que vem de fora?
Não é resistência. É consciência. Tudo aqui é muito bom: comida, língua, arte, cultura. Por que importar tradições de fora se temos tudo? Isso faz muito sentido para mim.

Esse conceito aparece também nos detalhes do hotel?
Sem dúvida. Quando servimos um drinque feito com ingredientes locais, isso é muito particular. Não precisamos importar avelãs de outro país, elas estão aqui, fazem parte da cultura, da vida cotidiana, inclusive de pessoas que não são ricas. Isso é o verdadeiro luxo italiano.

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