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Vídeo vazado expõe segredos da cúpula chavista e ameaça à líder interina da Venezuela

Um vídeo vazado expôs os bastidores da cúpula chavista nos dias que se seguiram à captura do ditador Nicolás Maduro por forças americanas. Na gravação, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirma que ela e outros membros do alto escalão receberam um ultimato dos Estados Unidos: cooperar em 15 minutos ou seriam mortos.

O vídeo, divulgado pelo veículo local La Hora de Venezuela nesta sexta-feira, 23, mostra uma reunião com influenciadores alinhados ao regime, realizada cerca de uma semana após a captura de Maduro. Em um dos trechos centrais, Delcy participa por telefone, em viva-voz, enquanto o então ministro das Comunicações, Freddy Ñáñez, conduz o encontro e pede unidade para evitar boatos e divisões internas.

“Desde o primeiro minuto em que levaram o presidente, começaram as ameaças”, afirma Delcy no áudio. Segundo ela, autoridades americanas teriam dado 15 minutos para que ela, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o presidente do Congresso, Jorge Rodríguez — algumas das principais cabeças da hidra chavista —, respondessem às exigências. “Ou nos matariam”, diz.

Na gravação, Delcy relata ainda que, inicialmente, os americanos teriam informado que Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, haviam sido assassinados — e não capturados. Diante disso, ela afirma ter respondido que estava pronta para “compartilhar o mesmo destino”. Segundo a presidente interina, apesar da narrativa sobre um rearranjo nas relações com os Estados Unidos, as ameaças e chantagens “seguem constantes”.

Delcy admite no vídeo que sua prioridade naquele momento era política. Segundo ela, três objetivos orientaram suas decisões: preservar a paz e resgatar os “reféns”, referindo-se a Maduro e à esposa.

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Antes de colocar Delcy no viva-voz, Ñáñez faz um apelo para que influenciadores interrompam “fofocas, rumores e tentativas de desacreditá-la”. Ele afirma que a presidente interina é peça-chave para evitar o colapso do regime e permitir uma reorganização do chavismo após a captura de Maduro.

O vídeo expõe o temor da cúpula governista de ser acusada de traição por negociar com Washington. Ñáñez alerta contra setores mais radicais do chavismo e tenta enquadrar a cooperação com os Estados Unidos como parte de uma estratégia previamente desenhada pelo próprio Maduro.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional afirmam que não é possível confirmar se a ameaça de morte relatada por Delcy realmente ocorreu. Para analistas, o discurso pode servir para manter a base chavista unida em um momento de fragilidade do regime.

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Dias após a reunião gravada em vídeo, Ñáñez foi deslocado para o Ministério do Meio Ambiente. Seu sucessor criou um novo perfil nas redes sociais com o objetivo de “defender a verdade sobre a Venezuela”, sinal de que, mesmo sem Maduro, o esforço para controlar a narrativa permanece um objetivo central para o regime que governa a Venezuela há mais de duas décadas.

Desde a operação americana, Rodríguez passou a adotar um discurso duro contra os Estados Unidos em canais oficiais e redes sociais, enquanto, nos bastidores, cumpre exigências da Casa Branca. Ela, inclusive, foi elogiada pelo presidente Donald Trump.

Segundo autoridades americanas, Delcy deve viajar em breve a Washington. Em paralelo, Trump anunciou que empresas dos Estados Unidos começarão a perfurar petróleo na Venezuela “em breve” e afirmou que o país já obteve milhões de barris de petróleo venezuelano sancionado após a captura de Maduro.

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