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‘Essa briga é boa para todo mundo, inclusive para o Lula’, diz deputado de direita

A escalada de ataques entre grupos ligados ao senador Flávio Bolsonaro e ao governador paulista Tarcísio de Freitas aprofundou, nos últimos dias, o racha da direita às vésperas da disputa presidencial. A ofensiva, que incluiu acusações de “traição” e ameaças de lançamento de candidaturas alternativas em São Paulo, levou o governador a recuar e expôs a dificuldade do campo conservador em se organizar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (este texto é um resumo do vídeo acima).

O tema foi debatido no programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, a partir de uma pergunta do colunista Robson Bonin ao deputado federal Fausto Pinato, que fez críticas duras à condução política do bolsonarismo.

Por que a briga entre Flávio e Tarcísio saiu do controle?

O conflito extrapolou o debate estratégico e se transformou em uma disputa personalista. Para aliados de Tarcísio, a ofensiva do entorno de Flávio tem causado mais desgaste à imagem do governador do que ataques do próprio PT. A gota d’água teria sido a sinalização do PL de que poderia lançar um candidato próprio ao governo paulista, gesto interpretado como desconfiança explícita em relação a Tarcísio.

Na avaliação do deputado, esse tipo de pressão afasta qualquer possibilidade de unidade e revela que, para o clã Bolsonaro, a lealdade absoluta é condição indispensável para permanecer no campo político do grupo.

Qual é o efeito dessa disputa para Lula?

Pinato avalia que o cenário favorece diretamente o presidente. A direita fragmentada, sem projeto nacional claro, repete a polarização anterior e permite que Lula mantenha vantagem, mesmo enfrentando altos índices de rejeição. Para ele, a falta de coordenação e de “maestria” política no campo conservador impede a construção de uma alternativa consistente.

O deputado afirma que, diante desse quadro, o Planalto sequer precisa estimular o confronto: a direita “faz o trabalho sozinha”, ao se dividir publicamente e transferir energia para disputas internas.

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O bolsonarismo quer vencer ou preservar o sobrenome?

Na leitura de Pinato, a estratégia da família Bolsonaro vai além da eleição em si. Manter o sobrenome em evidência, mesmo em caso de derrota, garantiria capital político para barganhas futuras e preservaria o controle do espaço da ultradireita. Apoiar outro nome com chances reais, como Tarcísio, poderia significar o enfraquecimento definitivo da ‘marca’ Bolsonaro.

Esse cálculo explicaria, segundo o deputado, a resistência do clã em confiar plenamente no governador paulista e em dividir protagonismo com outros atores da direita.

Onde entra o Centrão nesse impasse?

Para Pinato, o Centrão e a centro-direita falharam ao não apresentar um projeto nacional próprio, capaz de escapar da polarização ideológica. Ao serem “arrastados” pelo bolsonarismo, esses grupos acabaram reféns de uma pauta identitária, deixando de lado propostas econômicas e institucionais que poderiam ampliar o debate e atrair eleitores moderados.

Essa ausência de uma alternativa clara, diz o deputado, ajuda a explicar por que Lula continua competitivo, mesmo em um ambiente de insatisfação difusa.

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Tarcísio ainda tem espaço nesse jogo?

Pinato reconhece que Tarcísio surgiu como um nome promissor, mas avalia que o governador se perdeu ao tentar equilibrar fidelidade ao bolsonarismo e ambições próprias. Quando líderes partidários defendiam seu nome para a Presidência, ele reforçou a lealdade a Bolsonaro; com a consolidação da candidatura de Flávio, passou a demonstrar hesitação.

Apesar disso, o deputado ressalta que o clã Bolsonaro ainda tem força decisiva em São Paulo e pode definir o resultado da eleição estadual. Resta saber se haverá reconstrução da confiança entre o grupo e o governador paulista.

O que a crise revela sobre a direita?

Para Fausto Pinato, a disputa evidencia uma direita sem unidade, diálogo e projeto de país. Enquanto o bolsonarismo prioriza a preservação do sobrenome e o centrão hesita em assumir protagonismo, Lula se beneficia do vácuo político e da fragmentação adversária. Sem uma reorganização rápida, conclui, a direita corre o risco de repetir o mesmo roteiro de divisão que marcou eleições anteriores.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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