O caso Banco Master virou uma espécie de prova de estresse para o sistema financeiro brasileiro. Para Alexandre Pires, professor de Relações Internacionais e Economia do Ibmec em São Paulo, o episódio mostra que o país aprendeu com as crises dos anos 1990. Segundo ele, a atuação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — que já iniciou os pagamentos — ajuda a conter o risco de pânico e evita o velho filme da corrida aos bancos.
Pires lembra que todo sistema financeiro está sujeito a falhas, fraudes ou simplesmente a más decisões de negócio. Mesmo sem prática ilícita, um banco pode quebrar. A diferença, diz ele, é que hoje existem instrumentos para amortecer o impacto. A decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)de acelerar a devolução de recursos a credores vai nessa direção: acalmar o mercado e reduzir o risco de contaminação.
A crítica mais dura do professor vai para a condução institucional do caso. Ele considera “atabalhoada” a entrada do Supremo Tribunal Federal e avalia que o rito correto deveria passar primeiro pelo Banco Central do Brasil, com eventuais desdobramentos na Polícia Federal e na Procuradoria. Do jeito que foi feito, alerta, cria-se insegurança jurídica. E esse, sim, é o tipo de ruído que pode virar problema maior se durar tempo demais.