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Governo francês sobrevive a novas moções de desconfiança e avança com orçamento polêmico

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, sobreviveu nesta sexta-feira, 23, a duas moções de censura no Parlamento, movidas após a decisão de aprovar parte das receitas do orçamento de 2026 sem votação na Assembleia Nacional. Embora o governo francês possa respirar aliviado por ora, o país enfrenta uma grave crise política: na semana passada, enfrentou outras duas moções, apresentadas pela extrema direita e pela esquerda radical em retaliação à aprovação do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul.

Na terça-feira 20, Lecornu acionou o procedimento conhecido como “artigo 49.3”, que permite a aprovação de um orçamento contornando o Parlamento, uma estratégia usada pelo governo francês desde 2022. Com a França dependendo de um orçamento de emergência do ano passado para se manter em funcionamento, o premiê apostou em concessões no início deste mês para garantir que não seria deposto caso recorresse ao uso dos poderes constitucionais especiais.

A única forma de bloquear a medida seria, então, através de uma moção de censura, que acaba por derrubar o primeiro-ministro. Assim como no caso anterior, uma delas foi movida pelo partido de extrema esquerda França Insubmissa, junto aos Verdes e os Comunistas. Um total de 269 parlamentares votaram a favor da proposta, aquém dos 288 necessários. Uma segunda moção, protocolada pela extrema direita, recebeu ainda menos apoio.

Agora, espera-se que Lecornu invoque o artigo da Constituição mais duas vezes para forçar a aprovação da parte das despesas do orçamento, o que deve engatilhar novos votos de censura. A decisão de evitar o Parlamento ocorre após meses de negociações infrutíferas  aprovar um projeto de lei de finanças para conter o déficit na Assembleia Nacional, câmara baixa rachada em três blocos: centro-direita, extrema direita e esquerda, todos sem maioria.

+ As razões políticas por trás da oposição de Macron a acordo UE-Mercosul

Ameaça da extrema direita

Em resposta, a ultradireitista Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, alertou os socialistas que apoiar Lecornu poderia prejudicá-los nas próximas eleições, dizendo: “Não pensem que ninguém está observando vocês. O povo francês está de olho em vocês e fará com que paguem por isso nas urnas”. Ela também criticou o “processo humilhante que estão utilizando”, em referência ao artigo 49.3.

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O presidente da França, Emmanuel Macron, que já viu cinco dos seus indicados ao cargo de premiê serem derrubados, lida com um cenário complexo: domar a crise política para as eleições presidenciais de 2027. Embora não não possa concorrer novamente, seu candidato enfrentará uma extrema direita fortalecida. Enquanto isso, ele e sua ala centrista nunca estiveram tão enfraquecidos.

Fosse o pleito hoje, Jordan Bardella, principal candidato da extrema direita, venceria em qualquer cenário com larga vantagem, com 36% de intenção de votos no primeiro turno, segundo o Instituto Odoxa. Derrubaria os candidatos da esquerda e nomes da centro-direita que compuseram o vasto rol de primeiros-ministros escolhidos e logo caídos ao longo da gestão do presidente da França.

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