O avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais reacendeu as tensões dentro do campo da direita e da centro-direita. Embora o Centrão defenda majoritariamente o governador paulista Tarcísio de Freitas como candidato mais viável à Presidência, Flávio conta com o apoio direto do pai e registra crescimento expressivo nos levantamentos mais recentes (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo dados citados no Ponto de Vista, pesquisa da AtlasIntel aponta que Flávio avançou cerca de dez pontos percentuais nos últimos dois meses. O desempenho reforça o peso eleitoral do sobrenome Bolsonaro, mas também evidencia um contraste central na disputa: enquanto Flávio cresce, Tarcísio permanece mais estável nas intenções de voto.
Por que o crescimento de Flávio incomoda o Centrão?
O tema foi analisado no programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, com a participação do cientista político Rodrigo Prando. Para ele, o avanço de Flávio desagrada setores da centro-direita justamente por ampliar a fragmentação do campo oposicionista.
Prando observa que, enquanto Flávio se beneficia do apoio explícito do pai, carrega também um índice elevado de rejeição. Já Tarcísio, apesar de menos empolgação nas pesquisas, apresenta rejeição significativamente menor, fator que o tornaria mais competitivo em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A direita está fazendo o jogo de Lula?
Na avaliação do cientista político, a divisão interna da direita cria um cenário favorável ao Planalto. “É a ideia de Lula jogar parado”, resume Prando, em referência à metáfora futebolística recorrente do presidente. Com adversários disputando espaço entre si, Lula consegue manter índices elevados e administrar o jogo com menor pressão direta.
Ele destaca ainda que, no campo da esquerda, há uma “lulodependência”: o eleitorado progressista gravita em torno do presidente. Já na direita, convivem diferentes projetos — da centro-direita à extrema direita — sem uma liderança consensual capaz de unificar o discurso.
Lula pode vencer no primeiro turno?
As pesquisas mostram Lula com cerca de 47% a 49% das intenções de voto em diferentes cenários de primeiro turno. Apesar disso, Prando considera improvável uma vitória já na primeira etapa. Ele lembra que, historicamente, o PT venceu eleições presidenciais no segundo turno.
Para o analista, embora o cenário seja confortável para Lula, a tendência é de que a eleição siga para o segundo turno, repetindo o padrão das últimas disputas presidenciais.
O projeto Bolsonaro admite alianças?
Prando é direto ao afirmar que não há surpresa no comportamento da família Bolsonaro. Segundo ele, o projeto político gira em torno do próprio Jair Bolsonaro, com prioridade absoluta para seus interesses e, na impossibilidade de concorrer, para o filho Flávio. Outras alternativas, como Michelle Bolsonaro, acabam ficando em segundo plano.
Nesse contexto, a possibilidade de a família apoiar outro nome com maior potencial eleitoral, como Tarcísio, nunca foi considerada real. A estratégia, afirma Prando, sempre foi preservar o controle do capital político do bolsonarismo.
O sobrenome Bolsonaro é trunfo ou problema?
Para o cientista político, Flávio Bolsonaro se consolida, neste momento, como candidato ao Palácio do Planalto. O sobrenome funciona como um bônus inicial, garantindo visibilidade e transferência de votos do pai. Mas o mesmo fator tende a se transformar em ônus ao longo da campanha.
Prando avalia que o desgaste virá com o aprofundamento do debate eleitoral. Flávio terá de responder por sua trajetória política e pelas escolhas associadas ao bolsonarismo, tornando-se alvo não apenas da esquerda, mas também de adversários dentro da própria direita.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.