O Fórum Econômico Mundial de Fórum Econômico Mundial, em Davos, escancarou o choque de discursos que hoje molda a economia global. Enquanto a China adotou um tom conciliador — com seu vice-premiê afirmando que o país quer ser “o mercado do mundo” — os Estados Unidos voltaram ao registro duro. Donald Trump reacendeu a ameaça de novas tarifas comerciais, e a Europa reagiu. O presidente francês Emmanuel Macron foi direto ao dizer que o continente “não pode ser tratado como colônia”, sinalizando que o jogo geopolítico entrou em nova fase.
Em entrevista ao programa Mercado, Théo Paul Santana, especialista em negócios Brasil-China e co-fundador do Destino China, explica que as tensões vão além do comércio tradicional. Segundo ele, as tarifas defendidas por Trump refletem tanto o déficit comercial americano quanto o avanço chinês em áreas estratégicas como inteligência artificial, que já começa a mexer com mercados e cadeias globais. Ainda assim, Santana destaca o pragmatismo chinês: Pequim evita conflitos desnecessários e mantém o foco no desenvolvimento interno, com investimentos pesados em tecnologia, infraestrutura e modernização industrial.
Nesse cenário de reorganização econômica, o Brasil precisa definir seu papel. Para além das commodities clássicas — soja, minério e petróleo — há espaço crescente para proteína animal, café e produtos industrializados de maior valor agregado. Santana chama atenção para a expansão do consumo da classe média chinesa, interessada em itens premium, inclusive produtos de origem amazônica como açaí e cosméticos. O desafio, diz ele, é adaptar marcas e comunicação ao consumidor chinês, que valoriza a origem e a identidade brasileira no rótulo. Em um mundo cada vez mais fragmentado, quem souber se posicionar melhor tende a ganhar espaço.