Fala, pessoas!
Quem nunca ficou em dúvida na hora de escrever essa palavra: coringa ou curinga? A questão parece simples, mas revela muito sobre como a língua funciona, e como ela se adapta ao tempo, à cultura e até ao espaço dos balõezinhos dos gibis!
Nos últimos anos, a palavra voltou aos holofotes por causa do BBB. Durante a formação de paredão, o apresentador Tadeu Schmidt costuma anunciar que alguém ganhou o “poder curinga”. Isso intriga muita gente. Afinal, não seria com “o” no início, como no nome do vilão do Batman, o famoso Coringa?
A origem é “curinga”
A forma original da palavra é mesmo com “u”: curinga. Ela veio do inglês joker, e se refere à carta de baralho que pode substituir qualquer outra, aquela famosa “carta na manga”. No português, esse termo foi adaptado como curinga, e é assim que aparece nas primeiras traduções, dicionários e usos mais formais.
Mas, como tudo na língua, as palavras não vivem isoladas, elas se transformam conforme circulam.
A influência dos quadrinhos
Quando as histórias em quadrinhos do Batman chegaram ao Brasil, os tradutores e editores se depararam com um desafio prático: os balões de fala tinham pouco espaço, e a divisão silábica da palavra cu-rin-ga era um problema visual.
Imagine só, a sílaba “cu” ficava isolada em uma linha. Esteticamente estranho e potencialmente alvo de piadinhas, afinal, estamos falando de gibis! Para contornar isso, optou-se por adaptar a palavra para “coringa”, unindo as sílabas de forma mais fluida e evitando constrangimentos gráficos. A mudança deu tão certo que pegou, principalmente associada ao personagem.
Resultado? No universo dos quadrinhos e no cinema, Coringa virou o nome oficial do vilão, e essa grafia começou a ser usada também no sentido mais geral da palavra.
E hoje? As duas formas estão corretas!
Com o tempo, os dicionários passaram a aceitar as duas grafias. Segundo o Houaiss, por exemplo, curinga e coringa são formas equivalentes, ambas corretas, dependendo do uso.
- Se você está falando do personagem do Batman, o mais comum é escrever Coringa, com “o”.
- Se está usando a palavra no sentido genérico, como “jogador curinga” (aquele que faz de tudo no time) ou “função curinga”, a forma com “u” ainda é considerada mais tradicional, embora coringa também já esteja bem difundida.
A língua vive em movimento
Esse caso é um excelente exemplo de como a língua é viva, moldada por fatores sociais, culturais e até gráficos, como os quadrinhos. O que era apenas uma adaptação prática virou uso comum, com o tempo, ganhou espaço nos registros formais.
No baralho, o “curinga” pode substituir qualquer carta. Já na língua, ele mostra como uma palavra pode assumir diferentes papéis e grafias, de acordo com o contexto.
E aí, me conta: antes de saber disso tudo, você escrevia como? Coringa ou curinga?
Nos vemos na próxima coluna!
Vamos que vamos!
Professor Noslen Borges
Revisão textual: Profª. Ma. Glaucia Dissenha